Notícias › 05/04/2017

Pastoral da Educação prepara materiais de ação

“Mobilizar todas as instâncias da Igreja Católica no Rio Grande do Sul, à luz do Evangelho, para participar no crescimento das pessoas e na construção do seu futuro, sendo presença evangelizadora no mundo da Educação e da Cultura.” Essa é a missão assumida pela Pastoral da Educação e Cultura do Regional Sul 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e que foi apresentada nesta segunda-feira, dia 3, a representantes de 15 das 18 arqui(dioceses) gaúchas.

 

 No encontro realizado em Porto Alegre, a Comissão de Educação e Cultura do Regional entregou aos participantes uma cópia do projeto, que tem como objetivo final uma educação mais humanista. Para isso, propõe a articulação da Pastoral da Educação em cada arqui(diocese) e a criação de núcleos de professores por município ou paróquias que reflitam e atuem na qualificação da educação em suas próprias realidades.

 De acordo com o referencial para a Educação e Cultura no Rio Grande do Sul, o bispo auxiliar de Porto Alegre Dom Leomar Brustolin, é sugerido que cada núcleo se reúna quatro vezes ao ano. Para esses momentos, foi preparado um subsídio com quatro artigos sobre temas emergentes em Educação. A proposta é que seja trabalhada uma reflexão por encontro.

 “Precisamos nos reunir, refletir e propor caminhos capazes de garantir uma formação integral e solidária em todos os âmbitos da educação onde atuamos”, destacou Dom Leomar. O bispo também ressaltou que a articulação de professores em todo o Estado visa qualificar a presença dos educadores cristãos, para construir a cultura da proximidade, do encontro e da humanização das relações.

 Reforma do Ensino Médio

A reunião da Pastoral da Educação e Cultura do Rio Grande do Sul também foi um momento para a reflexão sobre a Reforma do Ensino Médio, proposta pelo governo federal. O professor Gabriel Grabowski, que atua na Feevale e no IPA, defendeu a necessidade de uma reestruturação, mas não no atual modelo.

 A lei sancionada em fevereiro pelo presidente Michel Temer tem origem na Medida Provisória do Novo Ensino Médio. Ela prevê, por exemplo, que apenas Português, Matemática e Inglês sejam disciplinas obrigatórias; que para ser professor se tenha “notório saber”; e que 40% do currículo sejam definidos pela escola, sistema de ensino e alunos.

 Para Grabowski, a atual reforma não traz novidades em relação a outras já aplicadas e está centrada basicamente na mudança curricular, sem oferecer condições para que seja realmente aplicada. Ele argumenta que a proposta depende, em grande medida, da Base Nacional Curricular Comum, que está em discussão desde 2014 e que deve iniciar somente em 2019, após a eleição para presidente e governadores.

 Entre outras considerações, o professor ressaltou que a obrigatoriedade de apenas três disciplinas empobrecerá de tal modo currículo escolar – já fragilizado, segundo ele –, que revoltará todos os envolvidos no processo educacional. Centenas de entidades já se posicionaram contra.

 Sulão da Educação

Os padres, diáconos, religiosos e leigos presentes na reunião desta segunda-feira foram convidados ainda para o Encontro Regional da Pastoral da Educação, que reunirá os agentes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O chamado “Sulão da Educação” ocorrerá dias 26 e 27 de maio, na Casa de Retiro São Lourenço de Brindisi, em Porto Alegre.

 Com conferencistas dos três estados da região Sul do Brasil, o encontro discutirá cenários e tendências da educação atual e refletirá a presença da Igreja Católica no mundo da educação. O investimento é de R$ 150, incluindo a inscrição, hospedagem e alimentação. Cada Regional da CNBB indicará 20 participantes.

 Foto e texto: Amanda Fetzner Efrom, Ascom – Porto Alegre

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