Artigos, Bispos › 07/10/2016

36ª Romaria de Nossa Senhora Aparecida

Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo

Há 299 anos foi “pescada ou achada” uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, no Rio Paraíba, em São Paulo. Os pescadores queriam somente peixes, mas nas suas redes apareceu uma imagem quebrada. Surge naturalmente a pergunta: qual o significado do aparecimento desta imagem nas redes? Para eles, foi um sinal – tanto que recebeu o nome de Aparecida. Do pequeno oratório na casa do pescador e das orações lá realizadas, desenvolveu-se uma veneração tal a Nossa Senhora Aparecida que fez surgir a suntuosa Basílica de Aparecida, centenas de igrejas a ela dedicas, romarias e procissões.

A 36ª Romaria de Nossa Senhora Aparecida da Arquidiocese de Passo Fundo situa-se neste contexto. Também, Maria, a cheia de graça, ajuda-nos na vivência do Ano Santo da Misericórdia. O lema escolhido para a romaria deste ano é “No coração de Maria a misericórdia do Pai”. Ele será o rumo das reflexões e orações. O papa Francisco, na bula de proclamação do jubileu extraordinário da misericórdia escreveu: “O pensamento volta-se agora para a Mãe da Misericórdia. A doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus. Ninguém, como Maria, conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem. Na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feita carne. A mãe do Crucificado Ressuscitado entrou no santuário da misericórdia divina, porque participou intimamente no mistério do seu amor” (nº 24).

A misericórdia não é uma palavra abstrata. É a atitude de quem se faz próximo, se apresenta voluntariamente diante da necessidade material ou espiritual de uma pessoa. Nossa Senhora ter “aparecido” nas redes dos pescadores é um sinal de quem se fez próxima dos pescadores e da multidão de escravos negros da época. Aparece negra para realizar a sua obra de misericórdia. Este cuidado misericordioso continua, como nos escreve a Constituição Conciliar Lumen Gentium: “por sua maternal caridade cuida dos irmãos de seu Filho, que ainda peregrinam rodeados de perigos e dificuldades, até que sejam conduzidos à feliz Pátria” (nº 62).

Uma parte importante da romaria é a procissão realizada da Catedral até o Santuário. São vários quilômetros a serem percorridos a pé. Não é qualquer caminhada, pois sua motivação é espiritual. Em várias oportunidades, Jesus Cristo falou às pessoas que o procuravam: “vem e segue-me”, “vinde e vede”, “tome cada dia a tua cruz e siga-me”, “devo ir a Jerusalém”. Com estas e outras afirmações mostrava claramente que a vivência dos seus ensinamentos se daria no movimento permanente da vida e nos fatos que iriam ocorrer durante a vida. Enfim, a marca do seguidor de Cristo é o seguimento, o movimento. A procissão recorda esta dimensão fundamental. Caminhar por este mundo rumo ao céu, pois este é o ponto de chegada e o sentido final da vida. Caminhar tendo à frente Maria, aquela que foi a primeira a caminhar no caminho proposto por Jesus. Ela está presente na anunciação, na pregação, na cruz, na ressurreição e no começo da Igreja. A procissão também tem um sentido penitencial e de purificação.

A 36ª Romaria de Nossa Senhora Aparecida tem a marca mariana, e quando Maria, “é proclamada e cultuada, leva os fiéis ao seu Filho, ao sacrifício do Filho e ao amor do Pai” (Lumen Gentium nº 65).

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