Bispos › 15/07/2017

A alegria de servir

Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta

Nas visitas pastorais que estou realizando nas comunidades de nossa Diocese, dentre tantas realidades que encontro, uma me deixa imensamente feliz: tantas pessoas que sentem a alegria de servir. São os voluntários de nossas comunidades. Ao ouvir a história de cada comunidade, estas pessoas são recordadas com carinho e alegria. Deixaram marcas nas pessoas, como Jesus que “passou fazendo o bem” (At 10,34). Por isso, não são esquecidas, estão na memória viva da comunidade de fé. Porém, não somente no passado, mas também hoje o número destas pessoas é grande. São de todas as classes, diferentes níveis de escolaridade, crianças, jovens, adultos e idosos, homens e mulheres. Dividem seu tempo disponível para sua profissão e família com a comunidade a que estão vinculadas. Oferecem seus dons para tornar o mundo melhor. A maioria realiza esta missão no anonimato, sem que seu nome apareça ou receba alguma recompensa. Podem até ser criticadas, o que não é motivo para desanimar.

Em tempos da “globalização da indiferença”, o que l eva alguém a sair de si e realizar um êxodo em relação ao outro para servir? Donde brota esta sensibilização? As motivações podem ser muitas: um ideal humanitário; o desejo de ser útil; a busca de preencher o vazio interior; a alegria de ver a felicidade de outras pessoas, sobretudo os sofredores, ou dar sua parcela de contribuição para que nosso mundo seja melhor, mais feliz. Quando se trata de um servidor de uma comunidade cristã, a motivação primeira se encontra na fé em Jesus Cristo. Quem se sente acolhido e amado infinitamente por Deus, quer responder com gratidão a este amor fazendo o bem aos outros. O que torna o servidor especialmente meritório é o fato de que realiza esta missão livremente.

Todos os ministérios, serviços, grupos, pastorais, movimentos, conselhos e organismos que atuam em nossas comunidades trazem a marca de Cristo que se fez servo de todos. As relações que se estabelecem entre os próprios servidores são de corresponsabilidade, onde não há um “presidente”, mas irmãos que trabalham juntos. Na cena do lava-pés, Jesus recordou aos discípulos a síntese de todo seu ensinamento: amar e servir. E ste gesto, posto como conclusão dos evangelhos, nos diz que toda a vida de Jesus, do começo ao fim, foi um lava-pés, isto é, um serviço. Jesus nos deu o exemplo de uma vida dedicada aos outros, uma vida feita “pão partido para o mundo”.Ensinou-nos que “quem deseja ser o primeiro deverá ser o servidor de todos” (Mt 20,27), seguindo o exemplo daquele que “não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). Ao dizer “façam vocês também como eu tenho feito” (Jo 13,17), Jesus instituiu o serviço como lei fundamental e estilo de vida para toda a Igreja. O verdadeiro discípulo de Jesus é o que descobriu a felicidade de servir.

Com certeza, o que torna os servidores e voluntários especialmente felizes é o fato de que podem, não sem sacrifício do seu tempo com a família e seu lazer, estabelecer relações com as pessoas que superam o paradigma mercantilista que tudo quer absorver. Realmente o que faz a vida ser bela não são as relações de compra e venda, mas a gratuidade. O amor e o serviço são essencialmente gratuitos. Quem ama faz o bem e não espera nada em troca. Sente a alegria em servir. Encorajo a que você procure um lugar para servir e fazer o bem na sua comunidade de fé e nas muitas instituições e organizações da sociedade que se ocupam com os sofredores. Vale recordar o ensinamento de Paulo: “Deus ama o que dá com alegria” (2Cor 9,7).

 

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