Destaques › 08/08/2017

“A alegria do Evangelho quando toma conta do nosso coração nos faz partilhar com as outras pessoas”, afirmou dom Esmeraldo

Dom Esmerando Barreto de Farias, bispo auxiliar de São Luís (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por ocasião do 1° Congresso Missionário Regional da Igreja do Rio Grande do Sul, ocorrido nos dias 28 a 30 de julho de 2017, em Caxias do Sul (RS), concedeu entrevista exclusiva à assessoria de imprensa do Regional Sul 3 da CNBB.

Dom Esmerando, o 1° Congresso Missionário do RS traz o mesmo tema do 4° Congresso Missionário Nacional, e destaca as palavras do Papa Francisco “alegria do Evangelho” e “Igreja em Dom Esmeraldo - fotosaída”, por quê?

 O Congresso Missionário da Igreja gaúcha aconteceu em preparação ao 4° Congresso Missionário Nacional a ser realizado no mês de setembro em Recife (PE) e o 5° Congresso Missionário Americano (CAM 5) que acontecerá em 2018 na Bolívia. São expressões muito bonitas, a “alegria do Evangelho” e “Igreja em saída”, porque a alegria nasce do encontro com Jesus Cristo. Na medida que eu sou tomado por esta alegria que brota do amor de Jesus por nós e do amor a Jesus Cristo, eu vou sentir de partilhar esta fé, está graça de Deus com as outras pessoas. A “Igreja em saída” é partilhar o amor, a graça, a bênção que recebo de Deus com as outras pessoas e acolher também a graça que já está no coração das pessoas. Tenho muitas coisas bonitas para contar das visitas às pessoas, famílias, grupos que descobri da ação da presença do Espírito de Deus na vida delas.

 Qual a contribuição e a importância da Igreja do RS ao âmbito nacional na animação e cooperação missionária?

 No DVD que a nossa Comissão Missionária preparou para a Assembleia Nacional dos Bispos do Brasil, em abril de 2017, nós destacamos no Projeto Igreja Irmãs que ele teve início no Rio Grande do Sul, especificamente, na diocese de Caxias do Sul. Esse projeto foi instituído em 1972, mas já em 1970 Caxias do Sul enviava muitos missionários para Dourados (MS), regiões do Mato Grosso e Nordeste, como é o caso da Igreja de Barra. O Rio Grande do Sul tem uma importância muito grande porque abre as portas de um projeto que depois foi reconhecido e instituído pela CNBB.

O que o senhor destacou do Texto de Estudos 108 que trata da “Missão e Cooperação Missionária” aos congressistas?

 Destaquei três pontos fundamentais do Texto 108 sobre a Missão e Cooperação Missionária. A missão vem de Deus, a missão é de Deus e nós somos chamados a colaborar com Deus nessa missão. Veja como isso é bonito! Deus cria o mundo, cria o homem e a mulher, e nos convida para participar desta missão que foi vivenciada de modo tão pleno por Jesus Cristo. Ser seguidores de Jesus é ser colaboradores de Deus. Isso só é possível pela graça do Espírito Santo para que nós possamos ser testemunhas desse amor que vem de Deus e toma conta do nosso coração. Esse amor e graça de Deus nos faz partilhar nas dioceses com as comunidades, pastorais, movimentos. Entre outras dioceses do Regional e outros lugares do Brasil e fora do país partilhar este amor e graça que Deus nos concede. Por isso, que a cooperação missionária é decorrente da missão que vem de Deus. O Rio Grande do Sul tem um exemplo muito bonito, pois a 24 envia missionários para Moçambique. Também está se preparando para enviar para outras regiões da África. Olha que forma de missão e cooperação bonita? Ao lado dos missionários que tem ido enviado pelo Rio Grande do Sul para a África nós temos tantas pessoas que ficam nas dioceses que rezam pela missão e os missionários. Oferecem sacrifício de sua vida e também partilham seu dinheiro para sustentação desses missionários e das obras missionárias. Cada um pode se perguntar: como posso ser um colaborador de Deus? A resposta é muito simples! Você pode ser um colaborar no seu trabalho profissional, no lugar onde mora, nas organizações das quais participa. Assim, será testemunha da fé em Jesus Cristo!

O que se espera do 1° Congresso Missionário do Rio Grande do Sul?

 É uma alegria muito grande para mim, é uma bênção de Deus estar aqui no Rio Grande do Sul. Agradeço a dom Jaime Padre Kohl, bispo de Osório, pelo convite que me fez. A dom Alessandro Ruffinoni, bispo de Caxias do Sul, que me acolheu com tanto carinho e com toda a coordenação do Conselho Missionário Regional (Comire). Se espera em primeiro lugar esta retomada de uma consciência maior. Eu preciso pedir a graça de uma consciência missionária para que eu possa me colocar à disposição, ajudar as comunidades eclesiais, as pastorais e movimentos, a cada cristão leigo e leiga a ser na verdade um missionário. O segundo ponto é na linha da organização. Existem ainda dioceses e muitas paróquias no Rio Grande do Sul que não tem o Conselho Missionário Diocesano (Comidi), o Conselho Missionário Paroquial (Comipa) e seminários (Comise). Se espera e foi o que escutei muito durante o congresso sobre este compromisso de organizar estes conselhos. Isso passa trazer um maior vigor missionário para a Igreja do Rio Grande do Sul continue sendo e seja mais ainda uma Igreja aberta e em saída. Dos que participam da Igreja são cerca de 15% daqueles que se declaram católicos. Nós precisamos olhar para estes 85% que só participam ocasionalmente. Este é um grande desafio também para o Rio Grande do Sul.

Todos os Regionais da CNBB estão organizando congressos em preparação ao 4° Congresso Missionário Nacional?

 Quando não há um congresso missionário no Regional há outras formas de encontros ou seminários. No Maranhão onde eu estou e participo da Arquidiocese de São Luís estamos fazendo seminários em cada diocese e preparando um grande simpósio para o próximo ano. Eu estou indo e acompanhando cada um desses encontros e digo para você que está sendo uma oportunidade muito bonita de ver aquelas pessoas que estão entusiasmadas e querem ajudar para que eles e outros cristãos se torne um missionário na comunidade, na pastoral e no movimento, mas também no local de trabalho ou em qualquer lugar que esteja.

Por que missão é partir?

 Missão é partir porque a palavra missão significa envio. As palavras missa e missão tem a mesma raiz em comum. Missão é ser enviado e para isso eu sou enviado para onde? Quem que me envia? Quem envia é Deus por meio de seu Filho Jesus Cristo, com a força do Espírito Santo através da Igreja. O missionário nunca é uma pessoa isolada. Significa também sair. É sair de mim mesmo. Preciso sair para encontrar as outras pessoas e descobrir o que Deus está fazendo através delas e não importando a condição moral e social em que vivem. É Deus que aí está trabalhando. Por isso, eu preciso sair de mim, ir ao encontro das pessoas, mas em especial, aqueles que vivem nas periferias, os idosos, os portadores de deficiências, os mais pobres, aqueles que são excluídos da comunidade. Ir ao encontro das periferias, pois isto é muito importante. Então missão é partir com o amor de Deus no coração para encontrar esta presença de Deus e animar outras pessoas a sentirem a alegria de seguirem Jesus e pela força do Espírito viverem o amor que Deus nos dá e quer transformação do coração da pessoa, da família, da comunidade, da sociedade. Existem tanta bagaceira na vida econômica, política e social do Brasil e nós somos chamados a partir do nosso testemunho e da fé a ajudar na transformação dessa realidade. Desse país que está roubando para concentrar cada vez mais nas mãos de poucos e dizem que estão fazendo isto em nome da democracia. Isso é um escândalo e nós precisamos combater vivamente sempre ao lado dos pobres, porque a sociedade será realmente democrática e feliz se ela colocar bem no centro os pobres e chegar numa sociedade justa, solidária, pacifica, equilíbrio da ecologia para a vida das pessoas.

Para concluir, que mensagem gostaria de deixar para a Igreja do Rio Grande do Sul?

 Em primeiro lugar gostaria de dizer que como presidente da Comissão Missionária reconheço e agradeço a todos vocês a Igreja do Rio Grande do Sul. Aos cristãos leigos e leigas, missionários e missionárias, religiosos, seminaristas, diáconos permanentes, padres e aos irmãos bispos do Rio Grande do Sul. Quero agradecer mesmo o trabalho que fazem, a doação de vida e toda esta contribuição para o Projeto Igreja Irmãos no Brasil e para este trabalho missionário na África. Em segundo lugar, dizer que vale a pena ser missionário, se colocar à disposição para irmos ao encontro das pessoas no seu bairro, no povoado, no centro da cidade, nesses prédios enormes. Aí você também é chamado a ser missionário. Em terceiro lugar dizer que a alegria do Evangelho quando toma conta do nosso coração nos faz partilhar com as outras pessoas.

 

Entrevista concedida ao jornalista Judinei Vanzeto – Assessoria de Imprensa do Regional Sul 3 da CNBB.

Em 29.07.2017

 

 

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