Bispos › 25/01/2018

A educação permanente da fé 

Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta

O Ano do Laicato traz ainda mais presente a necessidade da formação dos leigos e leigas como uma prioridade a ser assumida em cada diocese e paróquia. O desejo de termos cristãos como “membros vivos”, sujeitos eclesiais, na Igreja e na sociedade, passa pela educação permanente da fé. Sabemos que hoje a transmissão da fé não se dá mais unicamente por uma herança familiar e cultural. Num contexto de cristandade, as pessoas nasciam num ambiente cristão e, gradativamente, iam adotando a visão de mundo e comportamentos segundo uma herança transmitida culturalmente. Hoje apostamos em novos métodos de formação, que levem a uma maturidade da fé em Jesus Cristo, “até chegarmos, todos juntos, à unidade na fé e no conhecimento do Filho de Deus, ao estado de adultos, à estatura do Cristo em sua plenitude” (Ef 4,13).

É verdade que a própria vida, com os desafios cotidianos, é uma grande escola de aprofundamento da fé. Isto porque a base do encontro e do mergulho da vida em Deus não está na capacidade intelectual ou na preparação acadêmica, mas na humildade, no coração de pobre. “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendido se as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25). É preciso pedir a Deus um coração simples como de uma criança para acolher os mistérios da fé. Com certeza, conhecemos pessoas muito simples e com uma fé madura, convicta, com testemunho de santidade, que dispensa argumentações. Isto não significa que podemos dispensar o aprofundamento, o estudo da Sagrada Escritura e da Teologia.

Nosso desafio, porém, são os batizados que não chegaram a conhecer Jesus Cristo e a alegria de ser seu discípulo. Manifestam sua fé somente em algumas ocasiões da vida ou algumas datas do ano, mas o cotidiano da vida não é permeado pela presença constante do Evangelho. Nem sempre nossos cristãos conhecem a fé que professam e suas consequências na vida pessoal, familiar e social. Um caminho privilegiado de formação é a aproximação com a Palavra de Deus, através de cursos e da prática da leitura orante. Mas também o aprofundamento de todos os outros conteúdos, como a moral, a liturgia e, sobretudo, a espiritualidade. A Doutrina Social da Igreja, por sua vez, é um rico patrimônio que devemos conhecer, para termos critérios de discernimento diante dos questionamentos da ordem social, em vista do bem comum. Quando um católico precisa se posicionar e atuar na sociedade diante de questões importantes para a vida familiar, a justiça, a paz e a ecologia, não o faz a partir de ideologias, mas parte do ensinamento do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja. Um batizado com fé madura construirá sua família a partir do evangelho. Com o mesmo olhar, compreenderá o ser humano, a sociedade, o meio ambiente, a busca do bem comum e da paz e o diálogo com as ciências.

Vemos, com alegria, que multiplicam-se as modalidades de formação(escolas, cursos, palestras, publicações, sites, vídeos, canais de televisão, grupos de reflexão com centralidade na Palavra de Deus) que podem ajudar para formar um laicato maduro. Já dizia São João Paulo II que os leigos são chamados a serem “ramos da videira” (cf. Jo 15, 1-9), numa contínua identificação com o Mestre: “crescer, amadurecer continuamente, dar cada vez mais fruto” (CfL, n. 57).