Bispos › 11/02/2017

A enfermidade do coração

Dom José Gislon – Bispo Diocesano de Erexim

papa_beijoNeste dia 11, a Igreja celebra o XXV Dia Mundial do Enfermo. É um momento para refletirmos sobre o cuidado da vida, mas principalmente revermos como estamos cuidando de quem está enfermo. Vivemos num mundo de fortes contrastes tecnológicos e sociais. De uma parte, temos o avanço da medicina, graças à pesquisa científica que possibilitou a descoberta de novos remédios. Mas, devemos também reconhecer que a inovação tecnológica favoreceu a descoberta, a cura ou o tratamento de muitas doenças que eram consideradas uma ameaça à vida, até poucos anos atrás. Hoje, de modo geral, a expectativa de vida do nosso povo aumentou. Isso é um aspecto bastante positivo, porque envolve uma série de fatores que possibilitaram o prolongamento da vida.

Por outro lado, vemos os contrastes, provocados pelas desigualdades econômicas, sociais e mudanças na nossa sociedade, principalmente na estrutura social familiar. Quando nos referimos aos enfermos, talvez não nos demos conta das várias realidades dos enfermos. Os que estão nos hospitais para procedimentos ou em tratamento são uma pequena parcela dos milhares de enfermos que temos na nossa sociedade. Onde estão os outros, que muitas vezes não vemos? Estão nas poucas “casas de repouso”, lotadas, com filas de espera e nas famílias.

Os enfermos não devem passar despercebidos das nossas ações pastorais e caritativas em todas as realidades. A visita pessoal que proporciona proximidade de coração e calor humano, a assistência espiritual que conforta a alma e o espírito de quem muitas vezes tem o corpo debilitado, mas precisa ser fortalecido na fé e na esperança em relação à vida presente e futura.

Nos ambientes onde vivem os enfermos, se faz também necessário ter uma palavra de conforto espiritual para aqueles que cuidam dos enfermos, lembrando que a rotina diária pode nos levar ao cansaço e à perda da sensibilidade em relação à dor, à solidão e até à própria presença do enfermo, na nossa vida profissional, na família e na comunidade.

Por isso, louvo e agradeço a Deus pelos profissionais da saúde, por todos aqueles e aquelas que atuam nas diversas pastorais que assistem os enfermos, nos hospitais, nas casas de repouso e nas famílias. Louvo e agradeço a Deus, pelas famílias que com amor e carinho cuidam dos enfermos no próprio lar. São muitas as mães de família que fazem isso no dia a dia, por vários anos e nem sempre são valorizadas e reconhecidas.  Deus nos livre da enfermidade do coração, aquela que nos torna insensíveis à realidade dos enfermos e ao cansaço dos que cuidam deles, principalmente no ambiente familiar.

 

 

 

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