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A fé como um grande dom de Deus

A 1a Leitura deste domingo (1º Samuel 16,1b.6-7,10-13a) conta como o profeta Samuel foi secretamente enviado por Deus a Belém, à casa de Jessé, para escolher e ungir um de seus filhos, para ser o Rei de Israel, em substituição do rei Saul que caiu em desgraça. Ao ver Eliab, o primogênito, Samuel pensou estar na presença do escolhido de Deus, mas logo Deus o fez entender que não era este o escolhido. Por meio dessa leitura, Deus nos ensina a nunca julgar as coisas por simples padrões humanos e menos ainda, nunca julgar pelas aparências ou pelo que as pessoas dizem. Antes de decidir algo em nossa vida, devemos pedir iluminação ao Senhor para aumentar a nossa confiança de que a escolha é a certa: na escolha de uma carreira, ou na adoção de uma determinada atitude de responsabilidade, etc, nunca deixemos de consultar a Deus, na oração e o bom conselho de pessoas capacitadas e criteriosas. “O Senhor disse a Samuel: ‘levanta-te e unge-o, porque é ele”, referindo-se a Davi.

A luz da fé nos aparece como um dom de Deus. Este é o ensinamento da Bíblia e o da Igreja. Leva-nos a ver as pessoas, as coisas e os acontecimentos, através dos olhos de Deus. Assim, a percepção das coisas e da vida, baseadas na fé, é sempre correta. Ninguém de nós vê os problemas que aparecem e toma decisões na vida sempre com a total segurança de acertar. O critério para acertar será sempre dependente de nossa capacidade de buscar a vontade de Deus, para aquela situação e para aquele momento. É preciso sempre ter fé e confiar em Deus. A fé é uma virtude, uma capacidade de ação, mas deve ser cultivada para dar frutos. E o cultivo da fé não pode se resumir somente no conhecimento das coisas e da vontade de Deus, mas antes de tudo, na busca de fazer nossa vontade acolher a vontade de Deus. Tantas vezes isso será difícil, porque nosso querer se deixa influenciar por paixões baixas, por ímpetos de busca de soluções que não são exatamente aquelas que Deus nos pede.

A fé também deve ser alimentada com a doutrina. O Senhor revelou a sua Verdade para nós, a Verdade sobre Ele, sobre nós e sobre o mundo e nos ensina por meio da Igreja. A Igreja nos fala e nos ensina nas celebrações litúrgicas, na interpretação correta da Palavra de Deus contida nas Sagradas Escrituras, no Catecismo da Igreja Católica, no qual são expostas com clareza as verdades de nossa fé, na indicação de boas leituras e também nas pregações dos ministros sagrados. Uma das razões pelas quais a Igreja insiste na necessidade de que os seus fiéis assistam à Santa Missa aos Domingos e outras festas, é a necessidade de alimentar a fé recebida no Batismo. Devido à ignorância religiosa, muitos cristãos vivem como pagãos.

A Quaresma é um tempo litúrgico para investirmos na formação de nossa fé. Somos convidados, no tempo quaresmal, a estabelecer metas para cristalizar as verdades que aprendemos na vida, através da Igreja. A fé enche de alegria a nossa vida porque nos faz ver os milagres que Deus realiza em nós e como Ele nos ajuda a viver na alegre esperança, cultivando o amor a Ele e aos irmãos.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen