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A fé comprometida

 

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Partindo do princípio de que a fé cristã não é somente uma doutrina, uma sabedoria, um conjunto de regras morais ou uma tradição, mas que a vida de fé tem o poder de nos proporcionar um encontro real com Jesus Cristo, transmitir a fé significa, então, criar em cada lugar e em cada tempo as condições para que este encontro entre os homens e Jesus aconteça. O objetivo de toda evangelização é, pois, ajudar as pessoas a fazer a experiência deste encontro, que é, ao mesmo tempo, íntimo e pessoal, público e comunitário.

O grande desafio que temos na atualidade não é só ajudar aqueles que participam das nossas comunidades a cultivarem a vida de fé, mas ir ao encontro da ovelha ferida e dispersa, isto é, dos que foram batizados e fazem parte das estatísticas das nossas comunidades, mas se afastaram e já não celebram mais a vida de fé em comunidade. Devemos trabalhar para ajudar estas pessoas a fazerem um novo encontro com o Senhor Jesus. Ele é o único que dá um profundo significado a nossa existência, e nos ajuda a redescobrir a importância da fé, como fonte de graça, que dá alegria e esperança à vida pessoal, familiar e comunitária.

A fé deve se tornar em nós a chama do amor, que ascende realmente o meu ser, e assim pode iluminar também a vida do próximo. O homem atinge a sua maturidade amando a Deus e aos irmãos. Este é o mandamento que recebeu e que é também o seu destino mais belo e verdadeiro. O princípio pastoral enunciado pelo Catecismo diz: “Toda finalidade da doutrina e do ensinamento deve ser posta no amor que não acaba. Com efeito, pode-se facilmente expor que é preciso crer, esperar ou fazer; mas sobretudo, é preciso fazer sempre que apareça o Amor de Nosso Senhor, para que cada um compreenda que cada ato de virtude perfeitamente cristão não tem outra origem, senão o Amor, e outro fim, senão o Amor” (ClgC, n. 25). Cada um de nós recebeu a fé por intermédio de outros, e a outros tem a obrigação de transmiti-la.

Num mundo, que valoriza o sucesso da ascensão social, podemos correr o risco de ser discípulos que anunciam mais os valores da realidade do mundo, do que os valores do Evangelho anunciado por Jesus. É na experiência do encontro com o Senhor, através da sua Palavra, da oração e da caridade, que os discípulos podem oferecer um testemunho capaz de tocar a mente e o coração dos homens e das mulheres do nosso tempo, ajudando-os a percorrerem um caminho de vida, marcado pelo encontro com o Senhor da paz, do diálogo, da esperança e da misericórdia, que se inclina para curar o ferido. Ele, de braços abertos, acolhe o afastado, e com amor e ternura percorre conosco o caminho da vida, para podermos chegar à vida eterna, na casa do Pai.

O nosso crescimento espiritual não acontece por acaso. Precisamos ter a humildade de deixar a graça de Deus agir em nós, deixando o Espírito Santo oxigenar o nosso coração, a nossa vida de comunidade de fé, através da escuta e da leitura da Palavra de Deus. “Quando conhecemos a Palavra de Deus, não temos o direito de não acolhê-la; e, uma vez acolhida, não temos o direito de impedi-la de encarnar-se em nós; quando ela se encarna em nós, não temos o direito de conservá-la para nós: a partir daquele momento pertencemos a àqueles que a esperam” (Madeleine Delbrêl).

Os discípulos do Senhor Jesus são enviados para a missão, “como operários do amor”, porque participam da missão junto ao Pai e ao Espírito Santo. Mas esta missão não poderá ser vivida intensamente pelos discípulos, se antes não fizerem uma experiência viva de comunhão com o Senhor Jesus, que anunciou o Reino de Deus, mas também carregou a cruz, e na cruz entregou a vida nas mãos do Pai, para que tivéssemos vida e vida em abundância.

 

Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul