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A não compatibilidade entre Deus e o pecado

A 1ª Leitura deste Domingo, o 4º da Quaresma (2ª Crônicas 36,14-16.19-23) nos apresenta a triste situação do povo Eleito, que se afasta dos caminhos do Senhor. Mesmo Deus cuidando de seu povo, no sentido de lhes enviar profetas e mensageiros que, com palavras duras e cruas procuraram corrigir os rumos tomados, o povo era incapaz de entender e de mudar. A Leitura nos apresenta como que uma memória da insensatez daquele povo e o trágico resultado desta insensatez: o exílio, a humilhação de ser um povo que perdeu terra, a identidade. Perdeu a sua alma, porque perdeu a Deus.

O castigo de Deus por estas infidelidades foi duro e consistiu em uma verdadeira catástrofe. Contudo, há uma luz de esperança: Deus jamais será infiel à Aliança. O caminho para o reerguimento deste povo está traçado: é o caminho da conversão, da volta para Deus.

Muita gente fala hoje dos “castigos de Deus”, como se Deus fosse um feitor impiedoso, insensível aos sofrimentos e dores de seus filhos. Mas a verdade é muito diferente. Somos nós aqueles que se colocam sempre em situações de sofrimento. Somos nós que com nossa irresponsabilidade e nosso esquecimento da Lei de Deus atraímos tantas consequências desastrosas como resultado de nossas infidelidades. Este tempo quaresmal deve levar-nos a uma consciência mais profunda sobre a necessidade da nossa fidelidade a Deus para termos uma vida menos afetada por problemas e dificuldades, causados por nossas falhas para com Deus. Deus sempre nos espera, pacientemente e está sempre disposto a nos acolher novamente, seja lá a situação na qual acabamos de nos meter, em nossa vida.

No Evangelho deste Domingo (João 3,14-21) aprendemos de Jesus, juntamente com Nicodemos, a lição de que Deus pagou um altíssimo preço pelo nosso resgate do pecado e do mal. Jesus ensina que para Deus, temos um valor infinito. E o resgate por nossos pecados também teve um valor infinito, comparável à ofensa que Deus sofreu e continua a sofrer pelos pecados da humanidade. Nosso resgate do pecado foi o Sangue do Senhor, derramado na cruz.

Neste belíssimo trecho do Evangelho, Nosso Senhor nos ensina aquilo que se pode definir como “unidade de vida”, ou seja, a necessidade da coerência entre o que cremos e o que praticamos: fé e vida. Acreditar significa não só um ato interno da mente, mas uma consequente forma de viver as realidades simples e humildes de nosso dia a dia. É aí, na vivência diária que demonstramos a verdade de nossa fé em Deus.

Este Deus “rico em misericórdia” como nos diz o Apóstolo São Paulo na 2ª Leitura (Efésios 2,4-10) é o Deus que nos ama com amor gratuito, ou seja, um amor que nunca se cansa de amar, que sempre espera, que sabe valorizar as coisas mais simples que realizamos por amor a Ele nas coisas corriqueiras do dia a dia.

Este Deus pode-se dizer, tem uma alegria especial, uma alegria que sobrepassa todas as demais: Ele tem a alegria de nos perdoar.

Por isso, aproveitemos este período quaresmal, tempo santo do perdão e da misericórdia de Deus para conosco, para recebermos o perdão de Deus através do sacramento da Penitencia e da Reconciliação. Não deixemos de fazer uma boa confissão neste período de graça de Deus.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen