Bispos › 02/09/2017

A pátria somos nós

Dom José Gislon – Bispo Diocesano de Erexim

Estamos iniciando o mês de setembro e, malgrado o pouco espírito cívico, de patriotismo, de amor pela nação manifestado no agir de muitos políticos, que acabam contaminando e penalizando a sociedade brasileira, queremos louvar e agradecer a Deus por termos uma pátria. Mesmo vendo-a ferida por muitos, que deveriam protegê-la, não devemos relegá-la ao abandono, como filhos e filhas apátridas desta terra, que acolheu nossos antepassados e nos oferece condições para transformá-la em um lugar de oportunidades de vida e dignidade para todos os que aqui vivem.

A nação que queremos deve ser construída com a participação de todos, nas pequenas ações do dia a dia. Escutamos muito falar da corrupção nas altas esferas do governo, mas fechamos os olhos, os ouvidos e a boca quando se trata das pequenas corrupções que nos envolvem, ou da nossa indiferença em agir e colaborar na construção de um país melhor. Queremos cidadania sem termos atitudes de cidadãos que olham e cuidam do bem comum. A pátria, como um lar digno para todos, se constrói com a participação responsável a partir das pequenas coisas que nos envolvem. Podemos começar não jogando o lixo no chão, no riacho que passa perto de casa, no terreno baldio que há no bairro, etc.

Quando mudarmos nossas atitudes em relação às pequenas coisas que estão ao nosso alcance, estaremos iniciando uma grande mudança em nosso país. Mudança que não visa dar privilégios a um pequeno grupo, mas a dignidade de vida de todos os brasileiros. Essa mudança é possível com a participação democrática e responsável de um povo, que sente pulsar no coração e correr nas veias o sangue da liberdade, da dignidade e da esperança de um novo amanhã.

Tendo presente a difícil conjuntura política e econômica pela qual passa o nosso país, afetando milhões de pessoas de todos os extratos sociais, causando um elevado aumento da violência e insegurança na sociedade, a Igreja Católica no Brasil convida todos os seus fiéis, à luz da Palavra de Deus, a fazerem um dia de jejum e orações pela pátria no dia 7 de setembro. Desejo imensamente que o querido povo de Deus da nossa Diocese assuma de coração este convite. Queremos clamar ao Senhor, que conduziu o povo de Deus da escravidão do Egito à pátria dos seus antepassados através do caminho da purificação no deserto. Que Ele nos ajude a percorrermos o caminho da honestidade, da responsabilidade pelo bem comum, da educação, da liberdade e da justiça para continuarmos a ter uma pátria para chamar de nossa.

Que o Deus da vida continue iluminado nossos passos e o nosso caminho nesta terra, sem perdermos a esperança nesta e na pátria celeste.

 

 

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