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A relevância pública da fé cristã

 

Os cristãos, não são os únicos responsáveis pelos rumos do mundo, contudo, têm a consciência de que não podem se omitir diante dos rumos que o mundo vai tomando. Afinal, os marginalizados, os excluídos, as vítimas das guerras e os pobres carecem de um bom samaritano.

O atendimento aos mais pobres da sociedade ainda é garantido por obras que a Igreja mantém. Por outro lado, não é possível manter essa atitude sem identificar as causas dessa desigualdade bem visível.  Na Carta Encíclica Laudato Sì, o Papa Francisco denuncia uma opinião pública generalizada que não procura resolver os problemas dos pobres e limita-se a propor uma redução da natalidade. “Culpar o incremento demográfico em vez do consumismo exacerbado e seletivo de alguns é uma forma de não enfrentar os problemas”. (LS ,50)

A Igreja, portanto, garantindo a assistência aos idosos, crianças, doentes e todos os abandonados no isolamento das grandes cidades, precisa ser uma voz profética que desmascare as causas da injustiça social. Através da categoria vida, desde a concepção até a morte natural, o testemunho cristão se traduz no compromisso com os crucificados sobre a terra e, de acordo com a crescente consciência ecológica, também com a criação pecaminosamente devastada.

A evangelização não é uma linha estabelecida e bem demarcada entre o espaço sagrado e o profano, entre o âmbito eclesiástico e o mundano, não é o limiar da realidade, mas é o lugar e a hora decisiva para a salvação do ser humano. É o “hic et nunc”, o aqui e agora, no qual a totalidade de uma existência se decide a favor ou contra Cristo.

A Igreja é chamada a renovar-se incessantemente na escuta da Palavra de Deus, deixando-se julgar e purificar no seguimento de Cristo. Para ser evangelizadora das periferias, toda comunidade de fé é chamada a reconhecer continuamente os sinais de Deus na história.

A evangelização atual exige a Igreja em “saída”, como afirma o Papa Francisco, saída de um meio demasiadamente fechado sobre si mesmo, separado da massa dos cidadãos, pouco aberto às novas correntes culturais, ainda que essa postura de reserva procure ser uma atitude de prudente defesa de valores irrenunciáveis.

Certamente, não se tem tudo claro sobre como realizar a inculturação do Evangelho na cultura contemporânea. Dela depende uma presença pública da Igreja com maior impacto na sociedade.

 

Dom Leomar Antônio Brustolin – Arcebispo Metropolitano de Santa Maria e Presidente do Regional Sul 3