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A Universidade Católica de Santa Maria

Santa Maria é reconhecida como uma cidade universitária, onde se encontram proeminentes instituições acadêmicas.  Destaque-se, nesse contexto, a Universidade Franciscana pela história que aqui teceu e se consolidou como uma prestigiosa instituição de Ensino Superior desde sua gênese.  Ela é decorrência da solicitude e dos processos coordenados pelas Irmãs Franciscanas da Penitência e Caridade Cristã que foram laboriosas na primeira hora e dão prosseguimento, até hoje, como incansáveis continuadoras desse legado.

No dia 17 de setembro de 2022, pudemos vivenciar o “coroamento de um ciclo”, como bem definiu a reitora Irmã Iraní Rupolo, quando a UFN foi declarada Universidade Católica de Santa Maria.  Outrossim, por ser franciscana, essa instituição sempre se autocompreendeu católica. A sua origem, o seu espírito e a sua missão são franciscanos, como fecunda expressão do carisma dado à Madre Madalena Damen e concretizado por suas filhas consagradas que o distribuem entre nós, adornando a Região Central do Estado do Rio Grande do Sul com suas diversas iniciativas nas áreas da educação, saúde, assistência social e pastoral.

Alguém, entretanto, poderia indagar sobre a necessidade de instituir uma universidade católica que já tem tais fundamentos. Para responder, recorro ao pensamento do grande intelectual inglês e reitor da Universidade de Dublin, canonizado em 2019, o Cardeal John Henry Newman, em sua célebre obra The ideia of a university. No livro, ele sustenta que a universidade é o lugar do ensinamento do saber universal; entretanto, ele mesmo assevera que nenhuma

universidade foi e jamais será lugar do saber universal, porque toda e qualquer disciplina permanecerá para sempre restrita diante de tão grande propósito.

Por isso, alguns já chegaram a sugerir a alteração do termo universidade recorrendo a um neologismo: multiversidade. Sim, quando a fragmentação e a demarcação dos saberes se intensificam, a superespecialização começa a fazer com que cada área do conhecimento reivindique sua própria autoridade e sua singular verdade.

São John Newman, propõe que a universidade, para ser o lugar do saber universal, não pode perder os fundamentos filosófico e teológico do acesso à verdade. Trata-se de superar a antítese falsa e amplamente difusa no conceito moderno de ciência, de que há separação entre fé e razão, ciência e religião. Mesmo sem propor uma síntese, o diálogo é indispensável. Quando se esquecem das humanidades, podemos habitar longínquos planetas com novas tecnologias, mas continuaremos nos questionando, fundamentalmente, sobre qual é o sentido da vida e por que existe a morte.

Uma universidade católica, cônscia de sua missão profética, tem o duplo escopo de manter a excelência no ensino, na pesquisa e na extensão e, simultaneamente, ajudar a superar modelos meramente racionalistas, pragmáticos ou mercadológicos de Ensino Superior que acabam formando uma geração altamente capacitada, mas seriamente fragilizada para viver e conviver. Buscar a sabedoria que orienta a vida significa educar pessoas numa universidade que visa à integralidade ou uma catolicidade no sentido estrito.

Dom Leomar Antônio Brustolin – Arcebispo Metropolitano de Santa Maria