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Amor e compaixão no caminho da conversão

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! O caminho, que somos convidados a percorrer nos próximos dias, que antecedem a festa da Páscoa, será através de um deserto que floresce quando o atravessarmos, porque irrigado pela misericórdia do Senhor. Jesus veio não para condenar, mas para salvar. A estrada, aberta através da morte do deserto, nos conduzirá a Jerusalém para um encontro com o ressuscitado no dia da Páscoa. Será uma experiência transformadora, de profunda comunhão de vida, onde poderemos sentir o amor e a compaixão do Senhor por nós. Um amor que não discrimina pelos nossos passos mal dados, mas nos aproxima pela compaixão e misericórdia.

Como cristãos, nós não somos chamados a moralizar o mundo, mas chamados e convocados pelo Senhor Jesus para testemunhar a boa nova do Evangelho. É isso que está nos pedindo uma humanidade ferida e cansada, semelhante à adúltera fechada no silêncio do seu pecado. Como a mulher, que permaneceu diante de Jesus (Jo 8,1-11), depois que todos os seus acusadores tinham partido, também nós somos convidados a nos colocarmos diante de Deus, sem necessidade de buscarmos justificativas para nossas fraquezas, nossa falta de amor, de perdão, de compreensão e compaixão para com aqueles que erraram. Mas também a nossa falta de compaixão pelos empobrecidos, pelos fragilizados, pelos doentes, e que muitas vezes vivem à margem da nossa sociedade. Sem deixar de lado a nossa falta de misericórdia, para os que muitas vezes partilham conosco o mesmo teto. O Evangelho do quinto Domingo da Quaresma (Jo 8,1-11) nos mostra que apenas um olhar e uma palavra podem ser suficientes para ajudar alguém a recomeçar. As pedras que os acusadores tinham nas mãos não foram jogadas na mulher, mas com a intervenção e a presença de Jesus, muitas pedras foram tiradas do coração daqueles homens.

Vamos também nós pedir ao Senhor Jesus que, neste tempo de quaresma, ele nos ajude a tirarmos as pedras do nosso coração, que nos impedem de praticarmos o bem e a justiça segundo as orientações do Evangelho. Mas também aquelas pedras que nos impedem de pedir perdão ao Senhor, de perdoarmos e acolhermos o outro, com suas diferenças, como dom de Deus. Ajude-nos, Senhor, a tirar do nosso coração as pedras do egoísmo, do comodismo e da indiferença, que nos impedem de assumirmos um compromisso na comunidade. As pedras que estão no nosso coração e nos impedem de assumirmos, como sociedade, a nossa responsabilidade de cuidarmos da educação das novas gerações, para que tenham um maior respeito à vida, dom de Deus.

O discípulo acolhe no coração os ensinamentos do Mestre Jesus e, seguindo o seu exemplo, testemunha e anuncia, na sua peregrinação neste mundo, um Amor que perdoa; um amor que é capaz de sentir compaixão e devolver a dignidade a quem errou, dando-lhe o direito de recomeçar. O Senhor não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.

+ Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul