Artigos › 03/07/2018

Ano do Laicato (1)

A Igreja do Brasil celebra, em 2018, o Ano do Laicato. Por isso dedicaremos a seguir algumas mensagens ao estado de vida dos leigos, segundo orientação de documentos da Igreja. Leigos, segundo o Concílio Vaticano II, são todos os cristãos, exceto os membros de ordem sacra e do estado religioso (cf. LG 31). A missão dos leigos nasce com o sacramento do batismo e é alimentada pelos demais sacramentos, especialmente pela Eucaristia. A Sagrada Escritura demonstra a atuação dos leigos, desde os primórdios da Igreja (At 11, 19-21 e 18, 26; Rm 16, 1-16; Fil 4, 3).

Segundo o Documento de Aparecida, retomando reflexões anteriores (cf. DP 786), os cristãos leigos devem, por missão, atuar no mundo: “Homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja” (DAp 209). Diante do seu caráter principalmente secular na evangelização, as atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2015-2019 insistem para que, nos diversos níveis e instituições da Igreja, se incentivem pastorais que se colocam a serviço da vida em todas as suas expressões (DGAE 109). Cabe aos cristãos leigos e leigas empenhar-se na busca de políticas públicas que ofereçam condições necessárias ao bem-estar das pessoas, famílias e povos. Tarefa de grande importância é a formação de pensadores e pessoas que estejam em níveis de decisão, evangelizando os novos areópagos: mundo universitário, da comunicação, dos empresários, dos políticos, dos formadores de opinião, do trabalho, dos dirigentes sindicais e comunitários, nos ambientes de cultura e no cuidado da vida no planeta (DAp 491 e DGAE 118-127).

No mundo leigo merece destaque especial a vocação matrimonial e familiar. Na visão da Igreja “o amor conjugal consiste na doação recíproca entre um homem e uma mulher, os esposos: é fiel e exclusivo até a morte e fecundo, aberto à vida e à educação dos filhos, assemelhando-se ao amor fecundo da Santíssima Trindade” (DAp 117). A Igreja sempre deu grande valor à família, considerando-a “patrimônio da humanidade”, “Um dos tesouros mais preciosos dos nossos povos”. O Documento de Aparecida a descreve como: “Lugar e escola de comunhão, fonte de valores humanos e cívicos, lar onde a vida humana nasce e se acolhe generosa e responsavelmente”. Ela também se torna escola de fé, fazendo dos pais os primeiros catequistas de seus filhos. É com eles que começa o verdadeiro caminho da iniciação cristã. Assim ela é considerada santuário da vida e pequena Igreja, i. é, Igreja doméstica. Neste ambiente, os filhos têm o direito de poder contar com o pai e a mãe para que os cuidem e acompanhem até a plenitude da vida (cf. DAp 118 e 302-303).

Infelizmente, hoje estão em evidência outras formas de união, novas concepções de família que não respeitam o projeto originário de Deus. São estranhas à cultura cristã e alteram a natureza específica dessa instituição. Homem e mulher foram criados para que um complete o outro e os dois, unidos, sejam geradores da vida. O Documento de Aparecida afirma: “pertence à natureza humana que o homem e a mulher busquem um no outro a sua reciprocidade e complementaridade” (DAp 116).

Deus, por intercessão da Sagrada Família, abençoe os leigos e as famílias cristãs!

Dom Aloísio Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul