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Ano Vocacional – 02

Estamos no Ano Vocacional e continuaremos hoje nossa reflexão, a partir de seu respectivo Texto-Base (TB), destacando a vocação a partir do Concílio Vaticano II, o Documento de Aparecida e do Magistério do Papa Francisco. Já o Concílio, ao abordar o tema da identidade da própria Igreja, como Povo de Deus, afirmava que, a partir do batismo, todos têm a mesma dignidade, todos são vocacionados à santidade e chamados a participar da missão evangelizadora (cf. LG 39). Por isso afirma o Texto-Base: “A vocação, no Concílio, é entendida como um chamado a todos e está diretamente ligada à consciência missionária, sendo ela uma resposta que conduz à santidade” (TB, n. 24). Assim, cada um de nós é convidado a viver a santidade como uma resposta ao chamado que Deus nos faz. E a vocação é entendida como dom, como graça, que se torna compromisso de cooperação com a vontade divina. Esta vocação da pessoa humana não pode ser vivida de maneira isolada, mas em comunhão com os outros. Por isso afirma o Texto-Base: “O ser humano torna-se capaz de responder à sua própria vocação, graças ao contato com os demais, ao mútuo serviço e ao diálogo com os seus irmãos (GS, n. 25)” (TB, n. 29).

O Documento de Aparecida nos revela que o chamado de Deus Trindade sempre se manifesta como uma antecipação no amor e que acompanha os discípulos missionários/as em sua missão evangelizadora no mundo. Como modelo de pessoa vocacionada foi apresentada a Virgem Maria: Mãe de Deus e nossa, a discípula mais perfeita do Senhor (cf. LG, n. 53), a missionária que acolheu a Palavra e abraçou o projeto de Deus para a salvação de toda humanidade (cf. TB, n. 36). O amor de Deus está no início e no fim de todo chamado, também do nosso: “O chamado dirigido à criatura tem sua origem no Amor Trinitário, que toma a frente na decisão de vir ao nosso encontro e nos convidar a participar de sua Vida” (TB, n. 38). Diante deste amor primeiro de quem chama, espera-se a resposta de quem é vocacionado para ser discípulo missionário em meio à humanidade. Essa resposta se identifica como um entregar a vida pela salvação do próximo, pois não se pode guardar para si tal graça, sem fazê-la resplandecer em todas as dimensões da vida. Esta resposta do discípulo missionário/a vai cristificando homens e mulheres que semeiam esperança e vida para a humanidade, anunciando o Reino de Deus (TB, n. 49 e 54).

O Papa Francisco segue e renova o espírito missionário do Vaticano II e tornou-se profundo propagador das conclusões da Quinta Conferência Latino-Americana de Aparecida. Sua valorização dos ministérios confirma uma Igreja vocacionada, inserida no mundo, que não exclui, mas congrega na unidade, na alegria, no amor e no serviço ao próximo. O chamado vocacional nos coloca no seguimento e na amizade com Jesus Cristo e busca a cultura do encontro, da construção de pontes e não da separação; ela é misericordiosa e nos impulsiona ao encontro do outro. Neste sentido, o Texto-Base afirma: “Uma comunidade vocacionada é uma casa de portas abertas, que acolhe a todos com o bálsamo da misericórdia do Pai e que vai ao encontro dos mais necessitados” (TB, n. 65). Nosso Papa Francisco, como pudemos ouvir e perceber vivamente em nossa Visita ad Limina, destaca-se por atitudes de alegria no servir. É uma alegria que se vive em comunhão, que se partilha e se comunica: “É um serviço que gera uma proximidade fiel a Deus e ao próximo, e esse testemunho de fidelidade é o segredo da alegria” (TB, n.68). Para o Santo Padre, o acompanhamento vocacional caracteriza-se como ajuda para discernir o chamado de Deus na vida de cada pessoa: “Não há alegria maior do que arriscar a vida pelo Senhor” (TB, n. 81).

Dom Aloísio Alberto Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul