Destaques › 14/09/2017

Assessor Eclesiástico Estadual da Pastoral Familiar do Regional Sul 3 da CNBB concede entrevista sobre a família

Por ocasião da passagem do padre Edson Pereira, da Diocese de Cachoeira do Sul e Assessor Regional da Pastoral Familiar (Igreja do Rio Grande do Sul), pela cidade de Porto Alegre, a assessoria de imprensa do Regional Sul 3 da CNBB aproveitou para entrevistá-lo. Confira a entrevista:

 Como está a Pastoral Familiar no Rio Grande do Sul?

A Pastoral Familiar (PF) do Rio Grande do Sul está em sintonia com a PF do Brasil. Participamos de duas assembleias nacionais e de encontro com assessores da PF de todo o país. E tudo isso trazemos para o nosso Regional Sul 3 da CNBB, da Igreja do Rio Grande do Sul. Em nosso Estado buscamos trabalhar em unidade com a Iniciação à Vida Cristã (IVC). Ao pensarmos a família numa visão sistêmica temos o jovem, a criança, o idoso, a pessoa deficiente, o adulto, enfim, temos todas aquelas realidades que são lembradas pelo Papa Francisco na Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Amoris Laetitia”, sobre o amor na família. A partir dessas realidades a PF vem trabalhando nas dioceses do RS. Em agosto tivemos a Semana da Família muito bem vivenciada em nosso Estado. Tivemos o envolvimento de famílias, grupos e institutos que fazem parte da PF. Muitas foram as atividades, como, por exemplo, palestras, simpósios, romarias e celebrações que motivaram o povo a pensar na realidade da família com a temática: “Família: uma luz para a vida em sociedade”.

Todas as dioceses do RS têm a Pastoral Familiar organizada?

As nossas dioceses estão em caráter de organização. Todos os regionais da CNBB do Brasil estão se organizando e nósIMG_1485 queremos começar com nossos padres assessores. O Encontro que aconteceu em Porto Alegre nos dias 31 de agosto e 1° de setembro foi um dos primeiros passos para estruturarmos e re-estruturarmos a PF nas dioceses gaúchas. Trabalhar com família é uma visão muito ampla e com os assessores que participaram do encontro propomos uma construção em equipe, uma construção conjunta da PF. Tivemos a presença de nossos bispos referenciais da PF, dom Aparecido Donizeti de Souza, bispo Auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre e Bispo Referencial da PF, e dom Ricardo Hoepers, bispo de Rio Grande e Referencial da Promoção e Defesa da Vida. Referendados também por Dom Zeno Hastenteufel que é o Bispo referencial da Comissão Vida e Família da CNBB.  Participamos de 8 a 10 de setembro do Congresso Nacional da Pastoral Familiar, em Cuiabá. O Regional Sul 3 foi representado por dom Donizete, eu e o casal coordenador regional João Henrique e Neiva.

Hoje há muitos conceitos de família. Como se trabalha essas realidades na PF?

Na família há muitos desafios e o Papa Francisco na Amoris Laetitia fala que na família temos mais que problemas; temos oportunidades da ação evangelizadora. É verdade que existem situações que chamamos de especiais e que vamos olhar com carinho para todas estas realidades, como o Papa nos pede uma visão positiva de família. Pensar na diversidade de conceitos e formas de estar em família é a maneira que hoje a família consegue sobreviver diante de tantos ataques que vai sofrendo em nossa sociedade. Por isso, a Igreja é chamada a pregar os valores cristãos, morais e éticos. Segundo o Papa Francisco, a família é aonde se vai vivendo as grandes relações da vida.  Se a família está tão desacreditada, também é verdade que as gerações estão buscando e sempre buscaram a família. Se pensarmos nas grandes dificuldades que temos, é na família que vamos buscar uma referência. Nos momentos de dificuldade é entre as pessoas que amamos que nos refugiamos.

Qual a preocupação da PF em relação aos cursos de noivos na formação de novas famílias?

A PF compreende três setores: pré-matrimônio, pós-matrimônio e casos especiais. No setor pré-matrimônio, de maneira especial, nós temos a preparação para os noivos, os futuros casais. Hoje o Rio Grande do Sul está pensando nisso. A arquidiocese de Porto Alegre está realizando um trabalho de Iniciação à Vida Cristã e estamos vendo como vai funcionar. A nível de Brasil há um material que será lançado pela CNBB, justamente pensando no melhor assessoramento dos encontros para noivos. Não só a preparação, mas o pós-matrimônio ao acompanhar os casais que dizem sim. É verdade que diminuiu o número de casamentos, também é verdade que precisamos acompanhar aqueles que estão dando este sim para a realidade do matrimônio. Há a preocupação de fazer, principalmente, uma boa acolhida. Não podemos resumir apenas num encontro para noivos num dia e meio, mas que os noivos sejam acompanhados, visitados, recebidos pela PF. Asseguro que há muitas coisas bonitas que está para surgir sobre esta realidade.

O que se entende por casos especiais? 

São situações que exigem um olhar misericordioso da Igreja. Nos casos especiais entram os casais em segunda união as viúvas, viúvos, solteiras e separadas sem nova união, a realidade dos migrantes, que chegam em nosso país. Temos vários casos que entram dentro da realidade de casos especiais.

Que ações acontecem para o pós-matrimônio?

Na realidade de pós-matrimônio temos buscado resgatar os grupos de famílias. Isso numa cidade, como Porto Alegre, é muito mais difícil, mas isso funciona muito bem nas realidades de cidades menores e rurais. Os grupos se encontram nas casas e realizam os Encontros de Família. Temos também vários movimentos, como, por exemplo, o ECC (Encontro Casais com Cristo), Cursilhos, Equipes de Nossa Senhora, Encontro Mundial de Famílias, entre outros que atendem muito bem a família. Nisso tudo precisamos resgatar o sentido de se encontrar e formar família. Não só rezar na paróquia, mas promover a cultura do encontro entre as famílias. Tem muitas famílias que se identificam melhor por afinidade entre elas e que podem se encontrar num espaço fora do ambiente da paróquia.

No Rio Grande do Sul, os movimentos voltados para a família estão em sintonia com a PF?

Todos os movimentos que estão trabalhando com a família estão integrados, até porque nenhum deles fica fora da ação família. Até mesmo a catequese está integrada com a PF. A família é a igreja doméstica e a catequese vem como complemento daquilo que se recebe na família ou que se deveria receber na família como tal. Os institutos, os grupos de famílias, bem como aqueles grupos que trabalham com casais são todos conclamados para nos ajudar. Aliás, todos já realizam um trabalho excelente em prol da família. Quando trabalhamos com família temos uma visão sistemática de tudo o que é Igreja, ou seja, pela família atingimos os jovens, as crianças, os adultos, os idosos, os deficientes, os casais, os solteiros, os separado. Abarcamos todas as realidades nessa visão sistêmica social como tal. Pensamos numa árvore que precisa da seiva e que ela passa pelo tronco, folhas, frutos. Quando pensamos numa pastoral passando pela família, nós contemplamos todas as realidades que temos dentro da Igreja. É bom que tenha a Pastoral da Juventude, Social e todas as demais pastorais, porém todas essas realidades passam pela família. O Papa Francisco na Amoris Laetitia diz que ninguém pode dizer que destruindo a família teremos uma sociedade melhor. Pelo contrário, é fortalecendo a família que teremos uma sociedade com mais valores éticos, morais e comprometida com o projeto de Jesus Cristo.

Qual a novidade da Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Santo Padre Francisco “Amoris Laetitia”?

A grande novidade que se traz na Amoris Laetitia (AL) é a rajada de esperança para a vida de família. O Papa resgata aquilo que de positivo temos na família, muito mais que apontar dificuldades. A AL resgata historicamente todo um percurso que veio para das bases e foram respondidas pelas dioceses do mundo inteiro. As respostas chegaram ao Sínodo da Família que depois foi para as mãos do Papa, que deu esta rajada de esperança. É um grande documento que cada família deveria ter como leitura obrigatória. É um grande presente que o Papa fornece às nossas famílias e a Igreja.

Gostaria de dizer mais alguma coisa que não foi perguntado e que considera importante?

Gostaria de conclamar a todos para que pudessem nos ajudar na PF. Somos todos PF e costumo dizer que ela nos movimenta e impulsiona, porque nós somos família. Então, que cada um possa dar um impulso especial para a PF sendo agente. Você que está na catequese, nos grupos, movimentos já faz uma grande parcela. Que cada vez mais possamos tomar conhecimento desta estrutura de trabalho da PF. Assim, podemos ser uma Igreja mais família e participante como um todo. Também que Deus encontre a família na situação que ela está. Se é na dificuldade ou na alegria, é nessa situação real que Ele possa encontrá-la. A Igreja quer ser mediadora da ação de Deus em meio às famílias.

 

Entrevista concedia ao jornalista Judinei Vanzeto –

Assessoria de imprensa Regional Sul 3 da CNBB

 

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