Destaques › 29/09/2017

Ato ecumênico convida cristãos a passarem do conflito à comunhão

Luteranos e católicos se uniram em oração conjunta nesta quinta-feira, 28 de setembro, para reconhecer faltas, assumir diferenças e, sobretudo, dar testemunho de paz. Na Catedral Metropolitana de Porto Alegre, centenas de cristãos participaram do ato ecumênico em recordação aos 500 anos da Reforma, promovido pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e a Igreja Católica Apostólica Romana. Nas falas, cantos e gestos foi destacado que há muito mais aspectos que unem do que separam os fiéis das duas religiões.

Centenas de cristãos participaram da celebração nesta quinta-feira à noite. Foto: Amanda Fetzner Efrom

 A liturgia, baseada na celebração que no ano passado reuniu o Papa Francisco e o presidente da Federação Luterana Mundial, Bispo Munib A. Younan, trouxe diversos pontos do documento “Do Conflito à Comunhão”, no qual as igrejas concordam que as diferenças não são impedimentos para que possam dar um testemunho em conjunto. “No século XVI, católicos e luteranos frequentemente não apenas entenderam mal, mas também exageraram e caricaturizaram seus oponentes para expô-los ao ridículos. Repetidas vezes violaram o oitavo mandamento que proíbe levantar falso testemunho contra seu próximo”, diz o documento.

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 Marcaram presença no ato ecumênico dezenas de autoridades religiosas, entre elas o presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), pastor Nestor Paulo Friedrich, a vice-presidente da IECLB, pastora Sílvia Beatrice Genz, o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Francisco Biasin, e o arcebispo metropolitano de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler, que presidiram a celebração.

 “Ao longo das últimas décadas estivemos em diálogo uns com os outros e neste diálogo tivemos inúmeros frutos positivos, entre os quais se destaca o reconhecimento público do batismo ministrado pelas comunidades filiadas aos nossos corpos eclesiásticos”, ressaltou pastor Nestor. Lembrando a leitura do Evangelho de São João, o presidente da IECLB destacou Jesus como a videira verdadeira. “A frutificação da vida cristã está intrinsecamente vinculada à permanência na videira, no olhar para Jesus Cristo. A contemplação de si mesmo, o isolamento, o distanciamento são danosos e conduzem para a tragédia da poda”, observou. O pastor enfatizou ainda que vivemos um tempo que conspira contra a esperança e a fé cristã. “Vivemos momentos de muito confronto, há muita polarização religiosa e política. Crescem assustadoramente os gestos de intolerância religiosa, de agressividade, de violência. Na contramão dessa realidade, como pessoas irmanadas a partir do batismo, somos chamados ao testemunho de paz.”

 Dom Francisco Biasin primeiro leu a saudação enviada pela CNBB, que renovou o empenho em viver a declaração luterano-católica e enfatizou a importância de os cristãos testemunharem juntos o Evangelho de Jesus Cristo, à disposição da Palavra de Deus. “A unidade não é para nós, é para o mundo. Ela será força para um anúncio transformador de todos os relacionamentos humanos e de todas as estruturas a serviço da vida, da justiça e da paz”, enfatizou o bispo católico. “Somos interpelados e chamados a responder de forma incisiva, e nossa resposta terá uma ressonância muito maior se falarmos e agirmos como irmãos e irmãos, de tal forma que todos possam facilmente reconhecer que, mesmo nas diferenças que nos caracterizam, estamos fundamentalmente unidos pelo Evangelho”, completou.

 A celebração foi marcada pela participação de jovens e crianças, por um abraço da paz e o Pai-Nosso de mãos dadas. Entre os cânticos e orações, os cinco imperativos listados no documento “Do Conflito à Comunhão” foram assumidos como compromissos. O relatório propõe, por exemplo, que católicos e luteranos partam sempre da perspectiva da unidade e não da divisão, que deixem se transformar pelo encontro com o outro e pelo testemunho da fé, redescubram a força do Evangelho de Jesus Cristo no tempo atual e deem testemunho da misericórdia de Deus.
 

Por Amanda Fetzner Efrom, Jornalista – Arquidiocese de Porto Alegre

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