Destaques › 03/11/2016

Ameaças ao bioma Pampa

img_0509No Seminário sobre a Campanha da Fraternidade 2017, ocorrido no dia 27 de outubro, no auditório da Livraria Paulinas, em Porto Alegre (RS), a professora Dra. Luiza Chomenko, da Fundação Zoobotânica, apresentou o bioma Pampa e suas ameaças.

O Pampa, em relação aos biomas brasileiros, é o mais desconhecido. “É o único bioma que se restringe apenas em um estado. Compartilhamos desse bioma com o Uruguai e com a Argentina. Temos nele milhares de espécies, tanto de flora como de fauna. Centenas delas em lista de extinção”, lembrou.

Quando se trata de qualquer modelo de desenvolvimento para esta região deve se contabilizar as variáveis, pois o Pampa é uma cultura regional com características próprias. Essas características culturais são intrinsicamente ligadas a natureza. Cultura esta aparece muitas vezes nas músicas, poesias e livros, que encara a natureza como um elemento integrante e fundamental do ser pampiano.

A bióloga, em sua fala, conceituou a biodiversidade regional, a cultura com suas características e desafios para preservá-la. Também chamou a atenção para os modelos de desenvolvimento implantados. “Nos últimos anos o Rio Grande do Sul trouxe modelos de desenvolvimento que não estão contabilizando essas variáveis. Isso merece um cuidado e atenção especial”, frisou.

Muitos modelos de desenvolvimentos levam em consideração as suas características naturais e causam danos para as populações. “No Rio Grande do Sul há grandes controladores de negócios a nível internacional, ligados a produção de grãos, celuloses e mineração que vem atingindo drasticamente regiões muito frágeis. Deveria ocorrer um cuidado maior com a maneira que vem sendo implantados. Não somos contra a esses modelos, pois são fundamentais para o desenvolvimento da nação. O problema é a forma como vendo sendo implantados”, questionou.

Controle ambiental

Teoricamente o estado tem força para dar limites às problemáticas frente aos avanços exacerbado do desenvolvimento. Mas, segundo a doutora, os profissionais à frente dos órgãos de controle ambiental recebem uma sobrecarga de trabalho e não dão conta da demanda. Muitos projetos têm pouco tempo para serem analisados. Se instalam e não há tempo hábil para estudos aprofundados para aprovação com eficácia. Isso é uma questão que deve ser melhorado. Por outro lado, o estado ou agente público tem condições de trazer grandes projetos, como, por exemplo, o RS Biodiversidade, com financiamento do Fundo Mundial do Meio Ambiente. Temos várias propostas de trabalho que pode ser implantada e o estado precisa abraçar com mais força essas ações”, salientou.

Grupos de abelhas

img_0487Um dos projetos desenvolvidos pela Fundação Zoobotânica, segundo a doutora, é do grupo de abelhas nativas sem ferrão. “É fundamental que se dê atenção a este grupo da fauna, porque o ser humano não vai sobreviver sem as abelhas no mundo. Elas desenvolvem um trabalho importantíssimo de polinização. Há grandes impactos sobre as abelhas que carecem de boas condições ambientais, mas que estão colocadas em riscos devido ao modelo agrícola que vem sendo implantado em grandes extensões”, observou.

“A população de modo geral precisa reconhecer e se apropriar dos saberes existentes em cada bioma. O nosso bioma é muito desconhecido. Um dia poderá faltar e daí se vai perceber sua importância. Vamos reconhecer, defendê-lo e conservá-lo”, concluiu.

 

Por Judinei Vanzeto

Assessoria de Imprensa

Regional Sul 3 da CNBB

 

 

 

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