Bispos › 06/12/2016

Caminho de preparação para o Natal

Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta

terceira-velaContinuamos o caminho para o Natal. Para podermos prepará-lo bem, a Igreja propõe a vivência de uma espiritualidade, a vigilante e alegre espera de Deus que vem ao nosso encontro. Mais uma vez nos faz repetir as palavras do salmista, que ao contemplar a bondade de Deus exclama: “O que é o homem para dele te lembrares? O ser humano, para que o visites?” (Sl 8, 5). A oração do Advento é de júbilo e gratidão a Deus.

Neste caminho do Advento, nosso povo tem uma bela tradição de realizar encontros em grupos de reflexão. Cada vez mais compreendemos como não é possível ser cristão sozinho. Na pequena comunidade, no grupo de reflexão, nos sentimos acolhidos numa casa, num lar. Acolhemos e somos acolhidos. Temos nome, rosto, histórias que são partilhadas e rezadas com outras pessoas. Sentimos existencialmente a comunhão que formamos pela fé em Jesus Cristo. Esta pequena comunidade, célula da Igreja, é a casa da Palavra. Por meio da Leitura Orante, a Palavra é proclamada, acolhida, interiorizada, contada, meditada, rezada e contemplada. Nenhuma palavra é mais importante do que ela. Ela vai revelando, a cada encontro, o grande mistério de Deus que se faz pequeno e vem a nós em Jesus Cristo, o Filho amado. Os textos contam a história do nascimento de Jesus, com todo o drama humano e de fé vividos por Maria e José. Conduz-nos ao centro, ao essencial: o Natal é a grande notícia, sempre portadora de alegria, do Deus que “amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único, para que não morra tudo o que nele crê, mas que tenha a vida eterna.” (Jo 3,16). Por isso, os encontros auxiliam no crescimento e maturidade da fé. Nas histórias bíblicas nós nos sentimos contemplados, como se fizéssemos parte delas e estivéssemos presentes às cenas. “São elas [as pequenas comunidades] um ambiente propício para escutar a Palavra de Deus, para viver a fraternidade, para animar na oração, para aprofundar processos de formação na fé e para fortalecer o exigente compromisso de ser apóstolos na sociedade de hoje” (DAp, n.308).

Ao caminhar para o Natal, contemplamos Deus que vem constantemente ao nosso encontro. Como rezamos no Prefácio do Advento: “Agora e em todos os tempos, ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos e testemunhemos na caridade, enquanto esperamos a feliz realização de seu Reino.” Por isso, o Advento fala também do movimento de Deus que sai de si e, por amor, se faz pequeno e vai em busca da ovelha perdida do rebanho. Em nós, o encontro com Jesus Cristo provoca um movimento de saída, um êxodo permanente, para uma vida quequer ir ao encontro dos irmãos para oferecer misericórdia.Esta é a lógica do agir de Deus e deve ser a lógica do agir do cristão. Aproveitemos este tempo da graça de Deus para irmos ao encontro das realidades de pobreza e sofrimento que, certamente, não estão longe de nós. A caridade é a marca cristã, pois Deus é assim e age assim constantemente. Por esta razão, a espiritualidade do Advento nos convida à contemplação deste mistério da Encarnação do Filho de Deus, que não fala somente do Eterno que vem habitar o tempo e a história humana, mas revela quem nós somos e o sentido de nosso existir.

Além dos gestos solidários que cada um é convidado a realizar, não esqueçamos de contribuir na Campanha da Evangelização, que é realizada nos dias 10 e 11 de dezembro em nossas comunidades. Os recursos são destinados a projetos de evangelização. Participemos, também, da celebração penitencial em nossa comunidade, onde somos convidados à confissão sacramental, o abraço de Deus misericordioso.

 

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