Bispos › 26/10/2017

Campos de missão 

Dom Adilson Pedro Busin – Bispo auxiliar de Porto Alegre

A Igreja Católica tem por tradição celebrar outubro como o Mês das Missões. É um destaque, pois a Igreja é essencialmente missionária: “Ide a anunciai a todos os povos”. Essa é a missão da Igreja: anunciar o amor de Deus em favor de todo ser humano, levar o anúncio do evangelho a todos os povos. Ser missionário, portanto, é vocação de todo o batizado.

A missão faz parte do coração de Deus. O Pai nos comunicou seu amor em Jesus Cristo. Sua missão é salvar a todos: “o Pai enviou seu Filho para salvar o mundo”. O Papa Francisco insiste em nos lembrar que a alegria do evangelho consiste na alegria da salvação.

O Rio Grande do Sul foi marcado pelo ímpeto e a coragem dos missionários Jesuítas. Esses primeiros missionários deixaram o legado da região missioneira. Também as igrejas e comunidades que formam a Arquidiocese de Porto Alegre são fruto do desejo missionário de homens e mulheres – religiosos(as), leigos, sacerdotes – que, ao verem as necessidades, estenderam a “tenda do evangelho” onde se fizesse necessário. As comunidades nasceram aqui e acolá. E a missão não parou. Hoje ainda se faz necessário cumprir o mando do Senhor: “Ide e anunciai!”.

Os campos de missão são muitos. Podem estar longe, além-fronteiras. Podem estar bem perto de nós. Há lugares que nunca ouviram falar de Jesus e de seu Evangelho. Ali o Senhor nos envia. Há, porém, muitos campos de missão nos continentes e países que já ouviram há séculos o anúncio.

A missão é contínua. Ela começa e recomeça. Sempre que houver um coração que precise ser evangelizado, faz-se necessário cumprir o mandato do Senhor: “Anunciai a boa nova a toda criatura”. Nosso Estado, nossas cidades, nossos centros e periferias são ainda, e sempre serão, campos de missão. Precisamos de um novo vigor missionário. O Papa nos pede que sejamos Igreja em saída. Anunciar o Evangelho está no DNA do ser cristão.

O mês missionário nos faz voltar o olhar para os campos de missão, inclusive os longínquos. A Igreja do RS é irmã da diocese de Nampula, no Moçambique. Porto Alegre é Igreja irmã da prelazia do Xingu, onde estão sacerdotes e seminaristas. São gestos concretos de missão ad gentes.

Também devemos olhar para perto. Porto Alegre, Canoas, Guaíba, Viamão etc são campos de missão. Recorro uma vez mais a Francisco. No congresso para a pastoral das grandes cidades em Barcelona, em 2014, ele diz: “Para mim esta é a chave! Sair para encontrar Deus que habita na cidade e nos pobres. Sair para se encontrar com eles, para ouvir, abençoar, para caminhar com as gentes. É necessário ter a coragem de fazer uma pastoral evangelizadora audaz e sem temor, porque o homem, a mulher, a família e os vários grupos que habitam a cidade esperam de nós a Boa Nova que é Jesus e o seu Evangelho. Muitas vezes ouço dizer que se tem vergonha de expor-se. Devemos trabalhar no sentido de não ter vergonha ou recuo no anunciar Jesus. (…) As grandes cidades são hoje habitadas por numerosos migrantes e pobres, que provêm das zonas rurais, ou doutros continentes, com outras culturas. A Igreja não pode ignorar o seu grito. Tantos pobres, vítimas de antigas e novas pobrezas. Há novas pobrezas! Pobrezas estruturais e endémicas que estão a excluir gerações de famílias. Pobrezas económicas, sociais, morais e espirituais. Pobrezas que marginalizam e descartam pessoas, filhos de Deus”.

Sair para anunciar Deus que habita nossas cidades. O Senhor nos envia a anunciar, a sermos testemunhas de seu amor!

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