Bispos › 13/03/2017

Carta do Papa aos jovens

Dom Hélio Adelar Rubert – Arcebispo de Santa Maria

Anunciando que em outubro de 2018 acontecerá o Sínodo dos Bispos sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, o Papa Francisco enviou uma carta aos jovens do mundo inteiro no dia 13 de dezembro de 2016: “Eu quis que estivésseis no centro da atenção porque vos trago no coração”. O Papa apresentou o Documento preparatório que confiou também aos jovens como uma “bússola” para a preparação.

“Quando Deus disse a Abraão ‘Sai!’, o que é que lhe queria dizer? Certamente, não fugir dos seus, nem do mundo… Qual é para nós hoje esta nova terra, a não ser uma sociedade mais justa e fraterna, à qual vós aspirais profundamente…?

Mas hoje, infelizmente, o ‘Sai!’ adquire inclusive um significado diferente…Muitos de vós, jovens, estão submetidos à chantagem da violência e são forçados a fugir da sua terra natal. O seu clamor sobe até Deus, como aquele de Israel…(cf. Êx 2, 23).

Desejo recordar-vos também as palavras que certo dia Jesus dirigiu aos discípulos, que lhe perguntavam: ‘Rabi, onde moras?’. Ele respondeu: ‘Vinde e vede!’ (cf. Jo1, 38-39). Jesus dirige o seu olhar também a vós, convidando-vos a caminhar com Ele. Caríssimos jovens: encontrastes este olhar? Ouvistes esta voz? Sentistes este impulso a pôr-vos a caminho? Estou convicto de que, não obstante a confusão e o atordoamentoque dão a impressão de reinar no mundo, este apelo continua a ressoar no vosso espírito para o abrir à alegria completa.Mesmo quando o vosso caminho estiver marcado pela precariedade e pela queda, Deus, rico em misericórdia,estende sua mão para vos erguer.

Na última Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, perguntei-vos várias vezes: ‘As coisas podem mudar?’. E juntos, vós gritastes um ‘Sim!’ retumbante. Aquele brado nasce do vosso jovem coração, que não suporta a injustiça e não pode submeter-se à cultura do descartável, nem ceder à globalização da indiferença.

Um mundo melhor constrói-se também graças a vós, ao vosso desejo de mudança e à vossa generosidade. Não tenhais medo de ouvir o Espírito que vos sugere escolhas audazes. Não hesiteis quando a consciência vos pedir que arrisqueis para seguir o Mestre. Também a Igreja deseja colocar-se à escuta da vossa voz, da vossa sensibilidade, da vossa fé, até das vossas dúvidas e das vossas críticas”.

O Papa conclui sua carta:“Confio-vos a Maria de Nazaré, uma jovem como vós, à qual Deus dirigiu o seu olhar amoroso, a fim de que vos tome pela mão e vos guie para a alegria de um ‘Eis-me!’ pleno e generoso (cf. Lc 1, 38)”.

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