Destaques › 02/05/2017

Celebração do 1° de Maio em Porto Alegre

POR DIREITOS E DEMOCRACIA, A LUTA É TODO DIA!

Neste dia 1º de maio de 2017, mais uma vez, a voz do Deus Javé fez-se eco entre seu povo. Inspirados/as pela leitura do Êxodo 3,1-10, quase uma centena de Leigos, Leigas, Religiosas e Religiosos, Padres e Presbíteros das CEBs, Pastorais Sociais, Movimento Fé e Política, Cáritas/RS, Articulação do Conselho Nacional do Laicato Brasileiro Regional Sul 3, Comissão Justiça, Paz e Integridade da Criação da CRB/RS e Rede Um Grito pela Vida, de diversas Igrejas cristãs, reuniram-se em oração no salão da Igreja das Dores de Porto Alegre. A exemplo de Moisés, deixaram-se envolver pelo “fogo” que arde sem parar na realidade brasileira, para compreender e viver a missão que nos cabe dentro dela. O mesmo Deus que um dia disse ter VISTO e OUVIDO os clamores de seu Povo e tomado conhecimento dos seus sofrimentos por causa da sua opressão no Egito, e que DESCEU para libertá-lo. Só que para isso ele precisou do SIM de Moisés que, após muita resistência pessoal, assumiu sua tarefa, junto com Míriam e Arão, de juntar e conduzir seu povo. A caminhada não foi curta.

Hoje, o Deus da Vida continua a VER e OUVIR os clamores do Povo que sofre. Ele conta conosco, com cada um e uma de nós para continuar a caminhada de libertação do povo que sofre, tantas vezes calado e amordaçado sob várias formas de escravidão: pessoal, social, cultural, econômica, política, religiosa.

Há 131 anos, em Chicago, vários operários foram mortos pela polícia, por lutarem por melhorias nas condições de vida e trabalho, basicamente pela redução da jornada de trabalho. Há 31 anos, em 1986, a mesma lógica de morte, fez tombar o jovem operário Carlos Dorneles, em Sapiranga. Naquele contexto, o Deus da Vida se fez presente através dos que, organizados nas CEBs e Pastorais Sociais, se colocaram em Romaria, nascendo assim a Romaria do Trabalhador, uma das tantas expressões de organização do povo que possibilitaram grandes mudanças na vida do povo brasileiro, de forma especial a construção de um novo pacto social através da Constituição de 1988, assegurando tantos direitos não garantidos até então.

Com as palavras sábias proferidas por Dom Humberto Maiztegui Gonçalves, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e coordenador do CONIC/RS, procuramos entender a dura realidade em que nos encontramos, nesta hora histórica de nosso país e do mundo. “O que está acontecendo conosco? Nós nos enganamos, achando que as conquistas estavam consolidadas, mas não estão”, nos provocou Dom Humberto. Não estávamos preparados para isso. Inclusive dentro da Igreja, como a Romaria do Trabalhador, que não sobreviveu e a dificuldade de articular as Pastorais Sociais a nível do Regional Sul 3.

Outra questão é a da Comunicação. Não estamos sabendo nos comunicar nos tempos atuais. Mudaram as questões relacionadas ao ser humano. Somos muito mais do que apenas homens e mulheres; surgiram as questões de gênero. A diversidade humana é um desafio para todos nós. As mulheres estão ocupando mais espaços na sociedade e inclusive na luta política. Basta ver quem está gritando na luta contra a Reforma Trabalhista, lá em Brasília. A grande maioria são mulheres de diferentes partidos. Isso não se via antes. Temos muito o que fazer ainda. Não podemos ficar de braços cruzados e deixar o trem passar.

Na celebração da linha do tempo de lutas vimos desde a realidade de extermínio das Culturas Indígenas deste chão, passando pela história da Escravidão dos Negros, da luta dos Imigrantes, a LONGA LUTA POR DIREITOS. Vimos que perpassa por todos esses momentos uma história de muitos SONHOS, RESISTÊNCIAS, AVANÇOS E RETROCESSOS. Tentamos compreender também as palavras que marcam os dias atuais de nossa história: Retrocessos, desemprego, PEC dos Gastos com Políticas Públicas, Privatizações, Terceirização, Reformas: Trabalhista e Previdenciária, Lutas, Mobilizações, Marchas, Debates, articulações e reencontros. E por fim como nos disse o Papa Francisco, rezamos em voz alta: “NENHUMA FAMÍLIA SEM CASA, NENHUM CAMPONÊS SEM TERRA. NENHUM TRABALHADOR SEM DIREITOS, NENHUMA PESSOA SEM A DIGNIDADE QUE O TRABALHO DÁ”, também proclamada na mensagem da CNBB para o dia dos/as trabalhadores/as.

Fortalecidos pela Partilha do alimento que cada um trouxe, encerramos nosso encontro no interior do espaço da Igreja das Dores, com a certeza de que não foi o fim de uma ação muito agradável, fraterna, dinâmica e solidária na fé do Deus de Moisés e Jesus, mas um novo momento de retomada das lutas. Lutas para superar as DORES que estão cada vez mais fortes na vida do povo trabalhador. Para que, como Moisés, sejamos agentes de organização, de fermento na massa, tanto para dentro da Igreja, como para fora, vivendo a relação inseparável fé e política, renovamos o compromisso de ajudar a impulsionar os Comitês Populares em defesa da Democracia e dos Direitos, que possam ajudar a construir a travessia rumo à Terra Sem Males, onde haverá terra, casa, trabalho e justiça para todos e todas.

A Jornada não será fácil, nem curta, mas é preciso caminhar! Com muita fé e esperança, traduzidas na solidariedade e união com a luta dos que sofrem, seguindo o desafio lançado pelo Papa Francisco de sermos “UMA IGREJA EM SAÍDA”, profética e misericordiosa a serviço da vida.

Porto Alegre, 1º de maio de 2107

Coletivo Igreja em Saída-RS

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