Bispos › 01/04/2017

Conversão Ecológica

 Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo

Toda Campanha da Fraternidade, situada dentro do tempo quaresmal da liturgia católica, tem por objetivo conhecer e aprofundar um tema, denunciar problemas graves vinculados ele. Porém, o mais importante, é provocar uma mudança de mentalidade e uma mudança de atitudes, isto é, uma conversão.

Desde o pontificado do Papa Paulo VI (1963 -1978) até o de Francisco, o tema da ecologia é recorrente nos pronunciamentos papais. O Papa Francisco com a Carta Encíclica LaudatoSí: sobre o cuidado da casa comum (24/05/2015) disse claramente que o tema se insere na Doutrina Social da Igreja. Lamenta que “muitos esforços na busca de soluções concretas para a crise ambiental acabam, com frequência, frustradas não só pela recusa dos poderosos, mas também pelo desinteresse dos outros. As atitudes que dificultam os caminhos de solução, mesmo entre os crentes, vão da negação do problema à indiferença, à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas”. (LS 14).

O papa escrevendo aos católicos, mas também se dirige a todas as pessoas que quiserem se associar, lembra que o cuidado com a criação tem implicações com a fé e o modo de viver cristão. É uma questão de moral social que implica em responsabilidade, seja por atitudes destrutivas ou por omissões.

Muito importante é a reflexão desenvolvida por Francisco no capítulo VI, da LaudatoSí, que traz o título “Educação e espiritualidade ecológicas”. O foco é suscitar a conversão ecológica na certeza que não bastam somente soluções técnicas. Formar a consciência para desenvolver novas convicções, atitudes e estilos de vida.

Como ponto de partida aponta para um outro estilo de vida que não seja o consumista. “O consumismo obsessivo é o reflexo subjetivo do paradigma tecno-econômico” (LS 203). O consumismo compulsivo, além de gerar danos para a saúde, gera desperdício e necessita avançar sobre os recursos naturais. Um estilo de vida sóbrio manifesta a preocupação com as gerações futuras. É alegrar-se com o necessário. A sobriedade, vivida livre e conscientemente, é libertadora. Trata-se da convicção de que “quanto menos, tanto mais”.O papa Bento XVI disse que: “Comprar é sempre um ato moral, para além de econômico”. Cada compra não é uma simples transação econômica, mas tem implicações de corresponsabilidade. Comprar de quem degrada o bioma é ajuda-lo a manter a sua prática destrutiva.

Educar para a aliança entre a humanidade e o ambiente. O desafio de educar é grande, ainda mais um educar que leve a mudar hábitos, e não apenas ofereça informações. Os seres humanos não vivem competindo com a natureza, mas são aliados. Recuperar a aliança consigo mesmo, a solidariedade com os outros, o natural com todos os seres vivos, o espiritual com Deus.  “A educação ambiental deveria predispor-nos a para dar este salto para o Mistério, do qual a ética ecológica recebe o seu sentido mais profundo” (LS 210). É a valorização das pequenas atitudes que são o princípio das grandes mudanças.

 

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