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Cristo Ressuscitado promete o Espírito Santo

O advogado é aquele que age e fala em nome do outro, aquele que está ao lado de alguém para defendê-lo. Ao descrever o Espírito Santo como “o outro advogado” (porque Jesus é o primeiro advogado: cf. 1 João 2, 1), Nosso Senhor ensina-nos muito sobre a realidade do amor. Não é apenas um sentimento bom, mas uma escolha radical de entregar-se a Deus e apoiar os outros ajudando-os em suas necessidades.

Deus Filho, Jesus Cristo, assim o fez em sua Encarnação, fazendo todas as coisas como suas, tomando sobre si, em última análise, nossos pecados e nossa miséria, e vivendo de forma completa e radical a obediência a Deus Pai.

Ele nos fala sobretudo através do seu sofrimento e morte, porque o seu sangue fala mais alto do que o sangue de Abel (cfr. Hebreus 12:24). O sangue de Abel clamava pela justiça e punição de seu assassino, enquanto o sangue de Cristo clama pela misericórdia de seus algozes, que não são apenas os judeus de seu tempo, mas também todos nós, que pelo pecado novamente crucificamos a Jesus.

O pedido de perdão a Deus é expressão de humildade e de reconhecimento do poder de Cristo, que nos defende. Assim, na 1a Leitura de hoje (Atos 8,5-8.14-17), vemos que Graça divina chega aos samaritanos, um grupo odiado e desprezado até então pelo povo judeu. E aos samaritanos também é dado o dom do Espírito Santo, o segundo advogado, para que a partir de agora possa agir neles e através deles, falando em seu nome e capacitando-os a defender os outros. Esta é a genialidade do amor divino: Deus não só nos dá o seu amor, mas também nos dá o poder de amar os outros e, ao fazê-lo, tornamo-nos mais divinos e amáveis. Através do amor a Deus, nós nos capacitamos então a “defender” os outros, ou seja, a amá-los.

No Evangelho de hoje (João 14,15-21) Jesus nos ensina algo mais sobre o amor: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”. Mais do que emoções e sentimentos, o amor é a conformação de nossa vontade e de nossas ações à vontade de outra pessoa. Qualquer declaração de amor é vazia se não estivermos dispostos a fazer a vontade do outro, desde que essa vontade não seja má, porque – se for – a coisa amorosa a fazer é rejeitá-la. Mas, com Deus, a sua vontade é sempre boa e para o nosso bem. Jesus insiste: “Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama”. “Obras são amores, não boas razões”, como disse certa vez São Josemaría. É isso o que Jesus nos ensina no Evangelho de São Mateus, “Nem todo aquele que diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mateus 7,21).

Isso envolve um esforço consciente para ouvir a Deus e trazê-lo para as nossas decisões diárias. Não podemos fazer sua vontade se estivermos distraídos demais para ouvi-la. Deus nos fala especialmente através da nossa consciência e devemos ser sensíveis para ouvi-la e obedecê-la, evitando toda impetuosidade e arrogância.

Amar é fazer a vontade de Deus em tudo e defender os outros. Em outras palavras, é colocá-los, a Deus e aos demais, acima de nós mesmos. Deus nos pede isso, por ser o que Ele mesmo fez por nós, em Cristo Jesus.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen