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Deus é amor

 

No centro da liturgia desta missa ecoa a afirmação do apóstolo São João, na 2a Leitura (1 João 4,7-10): “Deus é amor”.

Os textos litúrgicos deste Domingo, especialmente o Evangelho (João 15,9-17), que precedem a Paixão, a Ressurreição e a Ascensão do Senhor, nos revelam o imenso amor que Deus. As outras leituras são posteriores a esses momentos de luz e glória, como a Primeira Epístola de São João e o texto da 1a Leitura (Atos 10,25-26.34-35.44-48), que narra a vinda do Espírito Santo na casa de Cornélio, que era um pagão. Em todas essas passagens bíblicas da Missa há uma íntima ligação que confirma a verdade e a unidade da mensagem que Deus quer nos transmitir: Deus é amor. Ele nos amou primeiro, e nós devemos amar a Deus e ao próximo.

Para compreender plenamente as leituras de hoje e extrair conclusões profundas, não podemos deixar de mencionar algumas ideias expressas pelo Papa Bento XVI em sua encíclica “Deus é Amor”.

O Papa Bento XVI nos lembra que o amor de Deus pela humanidade transforma nosso amor por Ele de um “mandamento”, de um dever, em uma relação sobrenatural.

Ele nos amou primeiro” (1 João 4:19). Embora ninguém possa ver Deus em sua essência, Ele não permanece completamente invisível para nós. Ele nos amou primeiro. Seu amor tornou-se visível quando Ele enviou seu Filho ao mundo para que, através dele, possamos viver de verdade.

Deus se torna visível em Jesus Cristo, através de quem podemos ver o Pai. Ele vem ao nosso encontro, pela sua Encarnação, especialmente desde a Última Ceia até o momento de ter o coração transpassado na cruz, passando pelas aparições do Ressuscitado e pelas grandes obras realizadas pelos Apóstolos, guiando assim o caminho da Igreja nascente. A presença contínua do Senhor na história da Igreja é evidente. Ele incessantemente vem ao nosso encontro por meio de seus mensageiros, sua Palavra e nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia.

Na liturgia da Igreja, na oração e na comunidade dos fiéis, experimentamos o amor de Deus, sentimos sua presença e aprendemos a reconhecê-lo em nossa vida diária. Ele nos amou primeiro e continua a nos amar; portanto, somos convidados a responder com amor: “amor com amor se paga”.

O amor não é apenas um sentimento passageiro. Os sentimentos vêm e vão. O amor verdadeiro abrange todas as potencialidades humanas e envolve o homem na sua totalidade. O encontro com as manifestações visíveis do amor de Deus pode nos trazer alegria, nascida da experiência de se saber amado, e deve nos levar ao encontro dos demais impregnados do amor de Deus.

Podemos falar do “amor encarnado de Deus”, um amor ilimitado que nos une a todos com Ele e aos irmãos.

Quando Jesus fala nas suas parábolas sobre o pastor que busca a ovelha perdida, a mulher que procura a dracma perdida e o pai que corre ao encontro do filho pródigo e o abraça, Ele não está apenas usando palavras como exemplos, mas revelando sua própria natureza e ação. Em sua morte na cruz, Ele se entrega para elevar e salvar a humanidade, revelando o verdadeiro amor em sua forma mais radical.

Podemos assim testemunhar, na Igreja atual, quantos são os exemplos vivos de que Deus é amor e que amam a Deus e ao próximo, como Jesus nos pediu antes de se entregar na cruz por cada um de nós, naquela bendita quinta-feira em que pronunciou o discurso que lemos no Evangelho de hoje.

 

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen