Notícias › 30/10/2017

Diocese de Montenegro realiza Assembleia de Pastoral

As estratégias e metas de toda a ação pastoral de uma diocese são pensadas, refletidas e definidas durante a Assembleia Diocesana de Pastoral. É a ocasião para avaliar o que vem sendo feito, manter o que está dando bons frutos e repensar novas ações para que a caminhada de evangelização siga em busca da permanente construção do Reino de Deus. Na Diocese de Montenegro, outubro é o mês da assembleia de pastoral. E este ano ela foi realizada na última sexta-feira, dia 27, e sábado, dia 28, no Salão Paroquial da Catedral, em Montenegro.

Os trabalhos começaram às 15h da sexta-feira, com uma acolhida e o credenciamento dos participantes, entre os quais estiveram os dois bispos, Dom Carlos Romulo e Dom Paulo de Conto, os padres da Diocese, religiosos, seminaristas e lideranças leigas, responsáveis pelas pastorais e movimentos de ampla atuação. Logo após o momento da espiritualidade, marcado pela reflexão a partir da leitura orante da Palavra, o bispo diocesano, Dom Carlos Romulo, proferiu as palavras de abertura da Assembleia: “recordo que estamos aqui representando muita gente. Tudo o que for debatido nesses dois dias de trabalho deve ter em conta não o que fica bom para mim, mas para todas as pessoas que eu represento aqui, o que pode ser bom para a Igreja, para a Diocese. Com essa abertura, vamos deixar o Espírito de Deus agir em nós. Estamos juntos para rezar e refletir, pensando coletivamente. Essa é uma atitude evangelizadora: pensar nos outros que não estão aqui conosco”. Dom Carlos se declarou feliz em participar da primeira assembleia diocesana de pastoral como bispo da Diocese de Montenegro, e falou sobre a escolha em agendar sua posse para a noite de sexta-feira, em meio aos trabalhos da Assembleia. “O mais importante é a Igreja, a ação de Deus. Tomar posse em uma assembleia diocesana de pastoral é algo significativo. Pois aqui estamos avaliando e pensando os próximos passos de nossa ação pastoral”. O novo bispo diocesano também destacou que se trata de um momento para celebrar e agradecer pelo ministério de Dom Paulo De Conto. “Ele escolheu ficar conosco, nossa Diocese é enriquecida com sua presença. Por isso, minha gratidão a Dom Paulo”, destacou, passando a palavra ao bispo emérito diocesano.

Dom Paulo se dirigiu a dscn2958todos dizendo que faz uma análise dos nove anos da Diocese, desde a primeira assembleia de pastoral até o encontro atual: “como caminhamos…, quantas alegrias. É muito bonito de ver nossa caminhada pastoral enquanto povo de Deus. O nome que escolhi para esta Igreja no dia da minha posse,Diocese da Alegria, se renova, pois hoje vejo um povo muito mais alegre do que aquele que vi naquele dia. Hoje temos identidade como diocese. Recordo os padres que ordenei, os leigos que foram surgindo, nossa caminhada da formação, a consciência de vivermos o Evangelho. Me sinto muito feliz e renovo em todos o ânimo, a coragem, a esperança! Somos a Diocese de Montenegro, a Diocese da Alegria!”, concluiu.

Em seguida, foram exibidos dois vídeos de retrospectiva da caminhada pastoral da Diocese. Então, o coordenador diocesano de Pastoral, Pe. Pedro Ritter, conduziu uma reflexão com a assembleia sobre o tema da iniciação à vida cristã. As palavras de Pe. Pedro situaram os participantes do encontro para o debate posterior, inspirado em três perguntas previamente elaboradas e propostas para que fossem respondidas em pequenos grupos. Na ocasião, também foi apresentada uma síntese da avaliação feita em todas as paróquias da Diocese sobre o processo de implantação do Plano Diocesano de Pastoral.

dscn3118Coube a Dom Carlos Romulo fazer uma reflexão sobre o retorno das paróquias em sintonia com o Documento número 107da CNBB, intitulado “Iniciação à vida cristã – itinerário para formar discípulos missionários”.Ele destacou que, enquanto diocese, não estamos sozinhos neste caminho. “Toda a Igreja do Brasil está empenhada na missão da iniciação à vida cristã. Vejamos o Documento número 107. Então, pergunto: quais os desafios que temos pela frente? Lembro que a formação do padre não é feita para que ele somente celebre a primeira missa, mas quer prepará-lo para ser padre, cristão, religioso, discípulo. O que proporcionamos àqueles que estiveram anos conosco durante a catequese de Eucaristia e Crisma? Ali é o momento da comunidade. Por isso o título do documento 107 se refere à formação de discípulos missionários”. Dom Carlos também propôs um resgate do Documento número 100 da CNBB: comunidade de comunidades – uma nova paróquia. “Nós estamos preparados e conscientes para iniciar outras pessoas no caminho de Jesus, como discípulos? Não podemos, enquanto comunidade, ‘terceirizar’ a catequese somente para o catequista. O jovem deve encontrar uma comunidade que o acolha, e da qual ele se sinta parte. Como a comunidade pode abraçar as pessoas que estão sendo iniciadas na fé? Como formar discípulos? Não somos um clube que oferece serviços. Nós temos um caminho. Às vezes, as pessoas entendem tudo como regras, proibições, leis da Igreja. Mas se o fiel encontra Jesus Cristo, tudo é consequência da fé. Por isso, precisamos saber como podemos ajudar a proporcionar um encontro com Jesus Cristo. Nós temos uma semente boa, sabemos que temos um tesouro e o entregamos com alegria. Acreditamos no que estamos fazendo. Então, devemos trabalhar para que as pessoas experimentem o que é ser Igreja, em comunidade”, provocou. Segundo Dom Carlos, a avaliação que veio das paróquias é muito boa e mostrou um bom diagnóstico. “Agora temos que nos perguntar o que fazer daqui para a frente. Como integrar comunidade, pastorais e movimentos na iniciação à vida cristã? Como ajudar as pessoas a serem iniciadas na fé? A Iniciação Cristã vai renovar a comunidade”, concluiu.

Após os debates de sexta-feira, toda a assembleia se dirigiu à Catedral São João Batista, para participar damissa de posse de Dom Carlos Romulo como bispo diocesano de Montenegro.

Os trabalhos da Assembleia foram retomados no sábado, dia 28 de outubro, pela manhã. Após a oração inicial, Dom Carlos fez uso da palavra e partilhou com todos uma proposta de caminho a seguir para acontinuidade do Plano Diocesano de Pastoral no período de 2017 a 2019. “Percebemos que coisas bonitas já surgiram, mas precisamos colher mais para construir os próximos passos. É muito importante a participação de todos para que o Plano de Pastoral tenha o nosso rosto. Sabemos que a cronologia do plano atual está se concluindo. Mas ainda temos muito a fazer, mesmo nas paróquias que já deram passos. Devemos ajudar as paróquias que ainda não caminharam, visto que a Iniciação à Vida Cristã ainda precisa avançar no viés catequético”. O bispo destacou que existem várias formas de falar de iniciação à vida cristã. Uma delas é por meio dos três sacramentos: Batismo, Eucaristia e Crisma. “Trabalhamos o modo sacramental, e por isso a iniciação cristã acabou centrada nos catequistas. Agora, com a caminhada que já fizemos, houve esse crescimento, então percebemos outra dimensão da iniciação, que é a dimensão missionária. Assim, precisamos conjugar a dimensão catequética com a dimensão comunitária da iniciação. Os demais membros da comunidade, que não são catequistas, não estão por dentro da iniciação. Esse é o nosso grande desafio. Depois do processo catequético não acontece a integração com a comunidade. Os jovens crismados não têm modelo para se inspirar, não há integração com turmas anteriores. É tudo compartimentado e há abismos na comunidade. Como seremos iniciados em algo onde não existe relação? O Documento 100 da CNBB deixa bem claro: Igreja é comunidade. A comunidade torna visível a Igreja. O rosto da Igreja é a comunidade concreta na qual estou sendo iniciado. Então, hoje precisamos falar de Deus e o que isso representa para cada um, individualmente falando. É preciso fazer a experiência profunda de Deus. Em que sentido o que fazemos acrescenta para a evangelização das pessoas? Como vamos ajudar nossas comunidades para que tomem a consciência que elas têm uma missão na iniciação cristã?”, questionou.

Então, ficou proposto, ao final da Assembleia, um desafio para a Diocese: organizar uma Comissão Diocesana da Iniciação à Vida Cristã. Esta, depois, ajudará para que o mesmo aconteça nas paróquias e nas comunidades. E Dom Carlos conclui: “como daremos este passo?

Como nossa festa da paróquia pode ser evangelizadora? Como nosso cuidado com os doentes pode iniciar na fé? Temos uma proposta da comunidade para envolver os nossos jovens da catequese? É preciso dar os próximos passos, para que mergulhem na fé, depois do Querigma”.

Dom Carlos adiantou que pretende realizar uma visita pastoral em 2018 por toda a Diocese e levará como tema de conversa e aproximação com as comunidades a Iniciação à Vida Cristã. Serão encontros paroquiais com o bispo para falar da iniciação cristã de modo local, aplicado à realidade da paróquia. “O bispo sempre deve apoiar e unir toda a Diocese. Meu papel será o da unidade pastoral, com a diversidade dos carismas e ministérios, mas uma diversidade que permanece unida e focada no que definimos como prioridade”.

A Assembleia foi concluída após novos debates e das conclusões dos pequenos grupos, que foram registradas e servirão de base para a redação do Plano Diocesano de Pastoral 2017-2019. Dom Carlos deu a bênção final e fez o envio de todos para a missão.

Texto e fotos: Graziela Wolfart, assessora de comunicação da Diocese de Montenegro.

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