Bispos › 14/10/2017

Do conflito à comunhão II

 Dom Aloísio A. Dilli  – Bispo de Santa Cruz do Sul

Já afirmamos na mensagem anterior que celebramos os 500 anos da Reforma de Lutero e que refletimos sobre um documento conjunto, com o título: “Do Conflito à Comunhão”. Sim, nos tempos atuais, graças a Deus, não nos preocupamos, como no passado, com acusações recíprocas, de cunho polêmico e apologético, mas olhamos mais para aquilo que nos une no mesmo corpo de Cristo e nos faz celebrar em espírito de unidade, mesmo que ainda existam temáticas, sobretudo teológico-sacramentais, que exigem continuidade no diálogo ecumênico oficial das igrejas para chegarmos à comunhão sempre mais plena. Enquanto o dia da unidade total não chegar, como católicos e luteranos, já nos alegramos com o que temos de comum e que nos une para celebrar como corpo de Cristo. Da mesma forma, e com sofrimento, continuamos a fazer frente à divisão, em busca da plena catolicidade da igreja. Por isso, não estamos celebrando os 500 anos da reforma, como divisão da igreja ocidental, pois jamais podemos celebrar a divisão de cristãos. Os luteranos são gratos a Deus por aquilo que Lutero e outros reformadores lhes tornaram acessível. Não desejam reivindicar este dom apenas para si, mas partilhá-lo com todos os outros cristãos. Por isso convidam todos os cristãos a celebrarem junto com eles. Católicos e luteranos têm tanto de fé em comum que podem e devem ser agraciados juntos, especialmente na comemoração da reforma (cf. O. cit., n. 226). Isso faz lembrar o que o Concílio Ecumênico Vaticano II declarou: “É mister que os católicos reconheçam com alegria e estimem os bens verdadeiramente cristãos, oriundos de um patrimônio comum, que se encontram nos irmãos de nós separados” (UR, n. 4). Junto com as alegrias a serem celebradas se faz necessário também o reconhecimento das dores causadas mutuamente e a manifestação do pedido de perdão que luteranos e católicos devem uns aos outros na história desses cinco séculos. Este pedido já foi manifestado oficialmente, sobretudo, por Paulo VI e João Paulo II (cf. Op. cit. 234-235) e a Federação Luterana Mundial (cf. Op. cit., n. 236).

Louvamos a Deus e agradecemos uns aos outros pela superação das lutas do passado e pelo novo espírito ecumênico que nos anima e que propõe cinco imperativos:

  1. “Mesmo que as diferenças sejam mais facilmente visíveis e experienciadas, a fim de reforçar o que existe de comum, católicos e luteranos devem sempre partir da perspectiva da unidade e não da perspectiva da divisão;
  2. Luteranos e católicos precisam deixar-se transformar continuamente pelo encontro com o outro e pelo testemunho mútuo da fé;
  3. Católicos e luteranos devem comprometer-se outra vez na busca da unidade visível, para compreenderem juntos o que isso significa em termos concretos, e buscar sempre de novo esse objetivo;
  4. Luteranos e católicos busquem juntos redescobrir a força do Evangelho de Jesus Cristo para o nosso tempo;
  5. Católicos e luteranos em sua pregação e serviço ao mundo, devem testemunhar juntos a graça de Deus” (Op. cit., nn. 238-244).

As pedras que uma vez jogávamos uns contra os outros ergam os muros da casa comum que hoje desejamos construir. Rezemos pela unidade dos cristãos.

 

 

 

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