WEBMAIL

Domingo de Ramos da Paixão do Senhor

Com a celebração do Domingo de Ramos da Paixão, iniciamos a Semana Santa.

Nosso Senhor vai ao encontro da morte, mas vai com a liberdade de Filho de Deus.

A celebração de hoje nos apresenta Jesus decidido a cumprir, até o fim, a Missão para a qual o Pai o enviara a este mundo: a salvação da humanidade de seus pecados. Ele é o Cordeiro de Deus, que vem tirar o pecado do mundo.

No início da Santa Missa, antes da Procissão, é proclamado o Evangelho de São Marcos (Marcos 11,1-10). Este texto apresenta-se como um relato minucioso dos acontecimentos. Aparece claramente neste relato de São Marcos a motivação humana da morte de Jesus: aquelas pessoas o aclamam como “o que vem em nome do Senhor! Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai Davi!”. A compreensão desta frase levou Jesus a ser acusado de pretender ser um rei de um reino contrastante com o Império romano. Esta foi uma das causas que justificaram o pedido de sua condenação e morte, junto a Pilatos.

Na Celebração da Sagrada Eucaristia, as leituras bíblicas apresentam a imagem do Cristo sofredor. É a marca da liturgia deste Domingo.

Não desviei meu rosto das bofetadas e cusparadas. Sei que não serei humilhado”. É o que escutamos na 1a Leitura (Isaías 50,4-7). É a chamada profecia do Servo sofredor. Relata com admirável exatidão os sofrimentos daquele que o Senhor escolheu para seu Servo, para que carregasse sobre si os pecados de toda a humanidade.

Este servo anunciado e encarnado em Jesus, no momento dramático do sofrimento, não perde jamais a confiança em Deus. E nesta confiança, oferece-se com liberdade para o sacrifício da própria vida. Sabe que sua missão não depende de sucessos humanos. Mesmo humanamente derrotado, sua vida é entregue eficazmente para a salvação de seu povo.

Na Carta aos Filipenses, no trecho que ouvimos nesta Missa como 2a Leitura (Filipenses 2,6-11), o Apóstolo São Paulo nos exorta a olharmos para Jesus, Servo sofredor, e aprendermos dele a ponto de adquirirmos “os mesmos sentimentos de Jesus Cristo”. O aniquilamento que Jesus sofre, vivido com coragem e destemor deve servir-nos como exemplo de vida para nossa experiência humana, também ela marcada pelo sofrimento. Aquele que se mantiver fiel, receberá de Deus a sua recompensa.

No Evangelho da Missa deste Domingo, lemos o relato da Paixão do Senhor, segundo São Marcos (Marcos 14,1 a 15,47). O texto de São Marcos tem uma característica importante: é ele quem mais apresenta testemunhas oculares da Paixão e Morte do Senhor.

Ele nos apresenta o sentido da Paixão do Senhor, de Sua Cruz: para os discípulos a Cruz foi o motivo de um verdadeiro escândalo e do abandono do Senhor por parte deles. Pouco lhes serviu aquilo que Jesus ensinou e falou a respeito da Cruz anteriormente. Diante do sofrimento do Mestre, eles O abandonam.

A intenção de São Marcos, que deve nos servir como inspiração na escuta deste relato da Paixão do Senhor é a de provocar a tomada de consciência de que Jesus é, verdadeiramente o Filho de Deus. Na boca do oficial romano que diz “Na verdade, este homem era Filho de Deus…”, São Marcos nos faz todos proclamarmos esta verdade.

No dia a dia de nossa vida, cada um de nós revive esta luta entre o bem e o mal, entre a verdade e a mentira, entre a Graça e o pecado. O combate de Jesus na Cruz nos envolve a todos. E após a Cruz, nenhum de nós pode ficar indiferente à Mensagem e à Pessoa de Jesus.

No Domingo de Ramos celebramos este Mistério de nossa Fé: a do aniquilamento de Jesus, Sua entrega até a última gota de sangue por cada um de nós, como resgate por nossos pecados, ensinando-nos a viver a mesma entrega no dia a dia.

Ninguém, diante desta realidade, pode permanecer insensível.

Vale a pena transcrever a Oração Coleta da Missa de hoje, para que nos sirva de inspiração na vivência deste dia e de toda a Semana Santa, que hoje iniciamos:

Deus Eterno e Todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar com Ele em sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém”.

Vivamos intensamente esta Semana Santa, como nos for possível. Se não pudermos participar das cerimônias presencialmente, acompanhemos as mesmas através das rádios e das redes sociais.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen