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É importante falar de vocação!

Todos desejam uma vida bem vivida; almejam uma vida com sentido. As buscas, projetos, sonhos se sustentam a partir de um horizonte de vida sólido.

A inspiração, ou o compromisso de “viver e ensinar o valor do respeito, o amor capaz de aceitar as várias diferenças, a prioridade da dignidade de todo ser humano sobre quaisquer ideias, sentimentos, atividades e até pecados que possas ter” (Papa Francisco, Fratelli tutti, n. 191), fomentando processos de encontro e de paz, promovendo a solidariedade, o diálogo, o respeito e o testemunho de fé – isso é vocação!

A pessoa humana é única! Ela possui uma tarefa intransferível. Todos são convocados a testemunhar a sua irrepetibilidade. Isso pressupõe o conhecimento de si mesmo, das próprias qualidades e tendências. Considerando este conjunto de elementos, é possível sondar um possível caminho de vida.

A escolha de um caminho de vida requer muito mais que a opção por uma determinada profissão. Profissão tem a ver com preparação técnica, competência, eficiência produtiva, ganha-pão, função social, status, reconhecimento externo.

Vocação é uma tarefa em constante realização, perpassando todas as fases da existência. Da profissão a pessoa se aposenta! Da vocação ela se compreende sempre e de novo interpelada por uma plenitude de vida que a tradição cristã denomina “santidade”.

Santidade implica “fazer próprios os sentimentos de Cristo Jesus” (Fl 2,5), ou seja, fazer-se discípulo do “homem que passou por entre nós fazendo o bem” (At 10,38) e “fazia bem todas as coisas” (Mc 7,37).

Discernir entre profissão e vocação, implica abertura para a graça e sensibilidade para dar à própria existência um sentido maior. A vida e o agir não podem se esgotar num horizonte de sobrevivência. É preciso ter sempre uma razão para viver.

Promover uma cultura vocacional no seio da sociedade, das famílias e das comunidades de fé é o objetivo do Ano Vocacional, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Para levar a termo tal iniciativa, urge poder colaborar com as forças vivas da sociedade: universidades, escolas, comunidades de fé, famílias, consagrados e consagrados, ministros ordenados, leigos engajados na vida eclesial e social.

Dom Jaime Spengler – Arcebispo de Porto Alegre