Bispos › 17/02/2017

Fórmula para superar a violência

Dom Remídio José Bohn – Diocese de Cachoeira do Sul

Os antigos diziam: “olho por olho, dente por dente”. Assim a briga não acaba. É a triste realidade  que assistimos diariamente, com tantas vidas ceifadas.

Jesus, que veio aperfeiçoar a lei pelo Amor, modifica esse comportamento.  A síntese de seu ensinamento é esta: ir além do que é exigido pela lei; ir ao amor maior que faz a diferença. Aqui temos o maior ensinamento de Jesus: amar os inimigos. Somos chamados a ser santos como Deus é Santo. Deus ama todos e não faz distinção de pessoas.

O sermão da montanha é o núcleo da fé cristã. E nele, a maior novidade de Jesus, está no amor aos inimigos. Em sua morte na cruz, reza ao Pai: “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). Ele pede aos seus que aceitem inverter a lógica da violência e do ódio, pois esse “caminho” só gera egoísmo, sofrimento e morte; e pede-lhes, também, o amor que não marginaliza nem discrimina ninguém, nem mesmo os inimigos. É nesse caminho de santidade que se constrói o “Reino”.

Está assim em direção contrária a ensinamentos e práticas do Antigo Testamento. Este ódio está no coração do homem desde o começo da humanidade, como nos retrata o livro do Gênesis. A lei antiga ensinava: “Olho por olho, dente por dente” (Lv 24,20). Vemos a mudança: ensina a não resistir ao malvado, oferecer a outra face…  Cristo assim o fez. Ensina o amor ao próximo como o seu mandamento e, este amor inclui o amor ao inimigo, para sermos como o Pai. Diz: “Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque Ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos” (Mt 5,44-45).

O Papa Emérito Bento XVI disse assim: “Por que Jesus pede para amar os próprios inimigos, isto é, um amor que excede as capacidades humanas? Na realidade, a proposta de Cristo é realista, pois considera que no mundo existe demasiada violência, demasiada injustiça e, portanto, não se pode superar esta situação exceto se lhe contrapuser um algo mais de amor, um algo mais de bondade”.

Viver na dinâmica do “Reino” exige a superação de uma perspectiva legalista e casuística, para viver em comunhão total com Deus, deixando que a vida de Deus, que enche o coração do crente, se manifeste na vida do dia-a-dia, inclusive nas relações fraternas. Portanto, como cristãos somos convidados a quebrar o círculo vicioso da violência por meio do amor e a construir a cultura da paz.

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