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Há um clamor que brota da criação

Em meio a tantos desastres naturais, há um clamor que vem tomando espaço em nossas vidas, que nada mais é do que a “criação que geme e sofre dores de parto” (Rm 8,22). Segundo especialistas, se poderia destacar sete problemas ecológicos da humanidade:

  1. Explosão demográfica: embora houve uma desaceleração nos últimos anos, ainda é muito grande o ritmo de crescimento mundial. A população mundial deve chegar a 9,7 bilhões de pessoas em 2050, diz relatório da ONU. Evidentemente isso trará muitas consequências.
  2. Desmatamento e desertificação: é alto o ritmo de diminuição das florestas e o aumento das áreas desérticas. Nas últimas décadas desapareceram mais florestas do que em toda a história da humanidade, nos relatam dados divulgados. Estima-se que quase 40% da superfície terrestre encontra-se em grave processo de desertificação.
  3. A perda de biodiversidade: cada vez mais plantas ou animais ou entram em extinção ou desaparecem. A ONU alertou que 150 espécies são extintas diariamente.
  4. Alteração climática: Usamos com muita frequência a expressão: “o tempo está mudado. O tempo não é mais como era antigamente”. O “efeito estufa”, que tem como principal responsável a emissão do gás carbônico, produz o aquecimento global. Com o crescimento industrial e o com o desmatamento das grandes florestas, a situação, infelizmente só tende a piorar.
  5. Chuva ácida: Causada pela emissão de gases de enxofre e nitrogênio, lançada pelas indústrias, a chuva está cada vez mais ácida.
  6. Buraco na camada de ozônio: A camada de ozônio, que podemos chamar de protetor solar natural, que nos protege da perigosa radiação solar, está cada vez mais afetada. Os efeitos, câncer de pele, mutações genéticas, entre outros problemas, vem aumentando significativamente.
  7. Contaminação das águas: As nossas fontes de água estão continuamente sendo contaminadas ou destruídas.

O Papa Francisco, desde o inicio do seu pontificado, tem sido uma voz que grita em favor do nosso planeta, que ele chama de casa comum. Em 2015 escreveu a Carta Encíclica Laudato Si. Recentemente publicou a Exortação Apostólica Laudate Deum, que é uma continuação de um apelo em defesa da criação. “Já passaram oito anos desde a publicação da carta encíclica Laudato Si, quando quis partilhar com todos vocês, irmãs e irmãos do nosso maltratado planeta, a minha profunda preocupação pelo cuidado da nossa casa comum. Mas, com o passar do tempo, dou-me conta de que não estamos a reagir de modo satisfatório…” (Laudate Deum nº 2).

Segundo o Papa Francisco, “é impossível esconder a coincidência destes fenômenos climáticos globais com o crescimento acelerado das emissões de gases com efeito estufa… A esmagadora maioria dos estudiosos do clima defende esta correlação, sendo mínima a percentagem daqueles que tentam negar esta evidência” (Ibid nº 13). O que o Santo Padre está colocando e o que foi apresentado nos sete pontos à cima parece óbvio, mas às vezes se faz necessário dizer o óbvio. “Vejo-me obrigado a fazer estas especificações, que podem parecer óbvias, por causa de certas opiniões ridicularizadoras e pouco racionais que encontro mesmo dentro da Igreja Católica”. (Ibid nº 14)

O Santo Padre continua seu apelo mostrando o quanto se faz urgente uma grande mudança de comportamento no cuidado com a casa comum. Ele demonstra uma especial preocupação em relação as crises globais, que deveriam contribuir para mudanças salutares, mas que são desperdiçadas. Aconteceu com a crise financeira de 2007-2008 e voltou acontecer com a pandemia da Covid-19. (Cf. ibid  nº 36).

Pe. Jair da Silva – Diocese de Bagé