Histórico

REGIONAL SUL 3

Com a última Assembleia Geral da Conferência Nacional  dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em Roma, a 27 de setembro de 1964, nosso Regional passou a ser Sul 3, dado que o Paraná, constitui-se em Regional autônomo, destacando-se do sul 1, cuja sede é São Paulo. Passaram a número de 11 os regionais da CNBB, com a subdivisão do Nordeste em 3 regionais e o Centro Oeste em dois.

Ainda em Roma foi reconfirmado como Secretário Regional do Sul 3, o Exmo. Sr. Arcebispo de Porto Alegre, Dom Vicente Scherer. Dom Edmundo Kunz por sua vez, foi nomeado sub-secretário regional, podendo assim atender mais diretamente as dioceses do Sul 3. Dom Vicente Scherer, Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre foi, ainda, escolhido para dirigir o Secretariado Nacional do Apostolado dos Leigos e Dom Aloisio Lorscheider, bispo de Santo Angelo, para dirigir o Secretariado Nacional de Teologia. Alegra-se a Igreja do Extremo Sul por estas nomeações, depositando nos dois Exmos. Pastores eleitos as grandes esperanças dos movimentos leigos e os anseios de todos os que labutam por uma atualização da Igreja.

O  Secretariado Regional Sul 3 é um órgão a serviço da renovação pastoral da Igreja no extremo sul do Brasil. Falar em renovação pareceria ousadia grande se não tivéssemos o plano de emergência, em boa hora lançado e que trouxe um clima de renovaçõo em todo o Brasil, a par do Concílio Vaticano II, a nos assegurarem que esta é a vontade de Deus: “que a Igreja toda se renove para que os homens vejam a sua face verdadeira”. Na verdade, ninguém mais nega que estamos em um mundo novo, em uma fase da história muito diversa a que se viveu até o início deste século e ninguém mais acredita que o que aí está, assim como está, seja realmente a face autêntica da Igreja do Cristo. E que, portanto, é indispensável uma revisão não só das estruturas da mesma, mas do próprio conteúdo da mensagem que vai levando aos homens, definindo-se a si mesma e definindo o sentido de sua presença no mundo.

O Concílio, obra do Espírito Santo, assumiu esta tarefa corajosamente, fundamentando a revisão que já se fazia sentir em toda parte, nas bases, pondo em chequd a própria ação pastoral da Igreja. O Plano de Emergência do Episcopado Brasileiro, foi o “Concílio” para o Brasil. Sua aplicação veio despertar todas as forças da Igreja para o “aggi ornamento” da mesma no sentido preconizado por João XXIII.

Ninguém pode  mais desconhecer ou subestimar os frutos preciosos deste esforço colossal iniciado em todo o Brasil, há pouco mais de dois anos. Apesar das resistências de alguns, já bem situadas, e das dúvidas de outros, tímidos, sente-se por toda parte, um clima novo, renasceu a esperança nos desalentados e desorientados, retomaram fôlego os autênticos e, os próprios indiferentes despertaram para este misterioso sinal que a Igreja voltou a ser para o mundo. Hoje a Igreja no Brasil lidera toda uma mentalidade mais autêntica, fundamentando a nova civilização.

O Secretariado Regional Sul 3, com todas as suas deficiências sembora, tornou-se o instrumento providencial de todo esse trabalho que se iniciou e deste clima que se criou no extremo sul. Não se fizeram grandes levantamentos, nem grandes planos de ação ! Trabalhou-se sinceramente e silenciosamente, fazendo o que estava ao nosso alvance, aproveitando todas as ocasiões que se nos apresentaram para responder aos apelos de Deus!

Com sede própria, deu-se ao mesmo uma certa estabilidade e um ponto de apoio! Firmando a experiência de pastoral de conjunto da cidade de Porto Alegre, deu-se conteúdo ao nosso trabalho, que começou a despertar confiança e interesse! Logo no início fez-se o possível para coordenar os setores mais importantes, quais foram a Liturgia, a Catequese e a Ação Católica. Não obstante as grandes dificuldades atenderam-se todos os pedidos de cursos de pastoral, liturgia e catequese para os quais foi solicitada a presença do Regional. Neste campo, distinguiu-se o Cônego Albano Kreutz, que fez cursos de Pastoral Litúrgica em quase todas as dioceses da região, tendo mais de 5 programadas para os próximos meses.

Tentou-se a coordenação dos demais setores: vocação, opinião pública, renovação de educandários, assistência social, ecumenismo, etc., conseguindo-se mais do que se esperara. Pensa-se já nos Institutos de Catequese e de Espiritualidade, que integrarão o futuro Instituto de Pastoral da Região Sul 3. O Secretariado Regional Sul 3 considera como pontos altos desse ano de trabalho:

  • O Encontro de Coordenadores Diocesanos, em julho que abriu realmente perspectivas novas para a coordenação regional;
  • O Encontro dos Exmos. Bispos e Provinciais Religiosos da região, que possibilitou uma tomada de consciência em conjunto dos problemas que a Igreja enfrenta hoje no Sul 3;
  • Os dois encontros para equipes diocesanas de Liturgia e Catequese, levados a efeitos em setembro e outubro de 1964.

Hoje, o Secretariado pode recolher um saldo satisfatório e olhar com otimismo o ano de 1965 que já inicia! Em toda parte o clima de renovação, não de novidade, levou a todos à reflexão, ao estudo, à ênfase sadia de se renovar na linha do Concílio. Cremos ter prestado, na medida do possível, um serviço à Igreja. Nosso desejo é que os Exmos. Bispos das 16 dioceses da Região Sul 3, os Coordenadores Diocesanos, os movimentos especializados dos leigos, os Superiores das Congregações Religiosas, acreditem em nossa boa vontade e sobretudo assumam de verdade a liderança e a direção de todo este trabalho que se iniciou sob os auspícios do Plano de Emergência, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.


CELEBRANDO UM JUBILEU

 

Por sugestão da Comissão Episcopal Regional, em seu encontro de junho de 1986, desde o número de setembro, RENOVÃO vem assumindo o desafio da celebração do Jubileu de Prata do Regional Sul 3, durante um ano. Na revista de outubro, reconstituindo a história, falamos da criação da CNBB, do valor de suas Assembleias Gerais e do Plano de Emergência, no qual consta a criação dos regionais, como uma tentativa de melhor resposta à vastidão do território nacional e à diversidade de realidades e situações. Entre os sete regionais então criados, constava o Sul 2 abrangendo Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Isto em 1962. Daí, o jubileu de prata em 1987. O Sul 2 começou em clima de otimismo com realismo. Teve “um início cheio de esperanças (Cfr. Boletim Informativo Sul 2. nº 1, 1963).

  • Em 1964, por decisão tomada pela Assembleia Geral da CNBB, em Roma, a 27 de setembro de 1964, aconteceu o desmembramento do Sul 1, composto por São Paulo e Paraná: São Paulo continuou como Sul 1 e Paraná passoua ser o Sul 2. A partir de então, o Sul 2 passou a ser Sul 3, ainda congregando Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com sede em Porto Alegre. (Cfr. Boletim Informativo Sul 2. nº 3, novembro, 1964, p. 3).
  • Em 1969, no encontro regional de Lages, os bispos optaram pelo desmembramento do Sul 3: o conjunto das dioceses do RS continuou a ser o Sul 3 e o conjunto das Igrejas Particulares de Santa Catarina passou a se chamar Sul 4, com sede em Florianópolis, onde foi instalado a 2 de janeiro de 1970. (Cfr. RENOVAÇÃO, nº 31, março, 1970).

Tentando reconstituir a história como celebração do jubileu, neste número de RENOVAÇÃO tomamos o assunto das CEBs.

  • Em 1965, pela primeira vez, parece, falou-se em CEBs no RS. Tratou-se de uma palestra do Pe. Orestes Stragliotto: “Comunidade de Base na Igreja”, nas perspectivas do Vaticano II. Palestra proferida no I Encontro Regional das Missões Populares. (Cfr. Informativo Regional Sul 3, nª 5, agosto, 1965).
  • Em 1969, aconteceu o I Seminário Regional sobre Comunidades de Base, em Passo Fundo, de 12 a 14 de maio, com representantes de doze Dioceses de SC e do RS: 2 bispos, 18 presbíteros, 15 religiosos/as, 8 seminaristas, 1 diácono e 6 leigos. Dois momentos significativos: a) em termos de revisão, o processo de mentalização na diocese e troca de esperiências; b) em termos de projeção: conceito (fundamentação); animação (figura, formação, vivência, inserção); liderança (características, surgimento, dinamização); mentalização (valores, meios, motivação). (Cfr. RENOVAÇÃO, nº 24, julho, 1969, pag. 4ss).
  • Em 1969, nos dias 29 e 30 de outubro, aconteceu em Porto Alegre, o I Seminário Arquidiocesano sobre Comunidades de Base, com: 1) seleção de seis experiências (centro da capital, bairro Operário, cidado do interior, paróquia de “colônia”, ambiente universitário, fazenda de campanha); 2) apresentação e análise das experiências; 3) conclusões. (Cfr. RENOVAÇÃO, nº 29, dezembro, 1969).

Com a herança das capelas, o Sul 3 tem sua caminhada de CEBs.