Bispos › 13/11/2016

Ide…

Dom Jaime Spengler – Arcebispo metropolitano de Porto Alegre
Presidente do Regional Sul 3 da CNBB

Jesus, antes de sua ascensão ao céu, deixa aos discípulos uma missão: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulas, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei” (Mt 28, 19-20).

Jesus, subindo aos céus, conclui sua missão. Os que o escutaram, começam agora um caminho próprio. O caminho é o mesmo do Filho, que testemunha o amor do Pai aos irmãos que ainda não o conhecem. Aquilo que Jesus ensinou aos discípulos eles devem oferecer a todos os povos. Sua missão é, portanto, comunicar a outros o mesmo poder que Jesus comunicou aide_ao_mundo eles. Ou seja, aquele poder de escutar e praticar a Palavra, para que todos possam se tornar um só povo que produz os frutos do Reino.

O discípulo é um batizado, isto é, alguém ‘imerso’ em Cristo, sendo chamado a fazer a outros aquilo que Jesus fez em favor dele.

O discípulo ensina! Ensina quem encontra pelos caminhos da história a fazer em tudo a vontade do Pai, como o fez Jesus durante sua vida terrena. Ele sabe que, para Jesus, a vontade do Pai resume- se na observância de um único mandamento: o mandamento do amor ao Pai e aos irmãos (Mt 22,34-40).

O discípulo sente-se impelido a compartilhar, com quem encontra pelas estradas da vida, a razão de sua fé. Ele se sabe participante da comunidade de fé. Em decorrência, desenvolve sempre mais o senso de pertença a essa mesma comunidade, sente-se por ela corresponsável. Por consequência, ele não se fecha em uma espécie de intimismo piedoso.

Sabe que sua vida é expressão da vinculação íntima com Jesus e seu Evangelho, tem consciência de que recebeu uma tarefa a ser cumprida. Por isso, empenha-se por fazer seu o modo de viver e agir de Jesus Cristo, que “passou fazendo o bem e curando todos os que estavam dominados pelo diabo” (At 10,38).

Os amigos do Crucificado-Ressuscitado são assim lançados na tarefa de anunciar a Boa-Nova a todos os homens e mulheres de boa vontade. Esta tarefa se realiza através de pensamentos e palavras, testemunho e obras.

O contato cotidiano com outras pessoas, com realidades culturais e eclesiais leva o discípulo a buscar modos de testemunhar e apresentar aquilo que o sustenta e move, anima e alimenta sua esperança.

O discípulo é um missionário, não fecha os olhos diante da necessidade de haver pessoas generosas e empenhadas em viver a alegria do Evangelho. Ele sabe que o vigor do discípulo-missionário está intimamente relacionado à intensidade de sua relação com Jesus, Mestre e Senhor.

Neste contexto, o termo ‘missionário’ indica uma tarefa específica. Esta tarefa ou incumbência é expressão do encontro como a pessoa de Jesus Cristo, a quem o discípulo busca seguir.

No empenho do seguimento do Senhor, o discípulo-missionário sabe estar a serviço de todos, especialmente dos mais pobres. Assim, não mede esforços para superar ideologias e dogmatismos, legalismos e tradicionalismos, pois seu único desejo é corresponder à verdade do Evangelho, rezado e estudado no seio da comunidade de fé, ao longo da história.

Papa Francisco sintetiza esse modo de compreender a vida do discípulo-missionário como característico de uma ‘Igreja em saída’. Ou seja, o discípulo do Senhor, através de gestos e obras, empenha-se para ir ao encontro das pessoas com o intuito de encurtar distâncias, fazendo-se cuidador, defensor e promotor de vida para todos.

Há consenso na sociedade de que a criação sofre! A humanidade sofre! De todo lado brotam anseios de verdadeira liberdade! Espalha-se o desejo latente de um mundo diferente e melhor, de um mundo novo. Este novo mundo desejado supõe mulheres e homens novos, supõe ‘filhos e filhas de Deus’ autênticos missionários.

 

 

 

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