Bispos › 14/05/2017

Iniciação à vida cristã e o Dia das Mães

Dom Aloísio A. Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul

Já temos refletido diversas vezes que no processo de Iniciação à Vida Cristã, dentro do espírito catecumenal, praticamente todos os membros da comunidade estão envolvidos, direta ou indiretamente, no acolhimento e formação dos catequizandos. Hoje desejamos acentuar a importância da participação efetiva dos pais e, com isso, destacamos especialmente as mães, no dia a elas dedicado.

Todos sabemos o quanto a família tem influência sobre nós. Já dizia o filósofo Ortega Y Gasset: “Eu sou eu e minha circunstância”. O ambiente familiar, além de ser escola de comunhão, na transmissão dos valores humanos e cívicos, torna-se escola de fé, fazendo descobrir os motivos e o caminho para pertencer também à família de Deus. Nela fazemos a primeira experiência do amor e da fé. Os pais, portanto, tem a responsabilidade da formação integral dos filhos, da qual faz parte a fé. A família ensina a receber, a conservar, a celebrar e dar testemunho dela (Cf. DAp 118). Assim os pais tornam-se os primeiros catequistas de seus filhos: “A família, pequena Igreja, deve ser, junto com a Paróquia, o primeiro lugar para a iniciação cristã das crianças. Ela oferece aos filhos um sentido cristão da existência e os acompanha na elaboração de seu projeto de vida, como discípulos missionários” (DAp 302). Por isso espera-se efetiva presença dos pais no processo da iniciação cristã de seus filhos.

Voltando ao Dia das Mães, cada um de nós lembra daquela que nos deu à luz, esteja viva ou falecida. É a data de recordar fatos, gestos, testemunhos de amor e de fé em que emerge o verdadeiro sentido de ser mãe. Por isso, a celebração do Dia das Mães evoca em nós sentimentos filiais da maior grandeza. E ninguém de nós duvida que as mães sejam dignas das mais belas homenagens. Mas sabemos também que a sociedade de consumo fez desta data um dia de presentes, como se fossem estes a principal forma de proporcionar felicidade àquela que nos gerou. É pena que este modo de pensar se tenha transformado na maior preocupação de muitos filhos e filhas e até de boa parte das mães. O simbolismo dos presentes pode significar muito, mas estes também podem ser vazios, se falta o essencial: o verdadeiro amor de mãe e o amor correspondente de filhos/filhas.

Com a frequente desestruturação familiar fica sempre mais difícil identificar a verdadeira vocação de ser mãe e ser pai, sobretudo, dentro dos laços do matrimônio estável. Mas a família continua sendo patrimônio da humanidade, um dos tesouros mais preciosos de nossos povos. É considerada a primeira escola de fé e de amor, verdadeira Igreja doméstica (Cf. DAp 114-115). É no contexto familiar que desponta a verdadeira figura de mãe; aquela que, junto com o pai, recebeu de Deus a missão de dar visibilidade concreta do amor-doação e da fé aos filhos. Eis o sentido mais profundo da vocação de ser mãe: ensinar a experiência do amor e da fé. O verdadeiro amor se aproxima do próprio Deus. O apóstolo São João nos diz que “Deus é o amor” (1Jo 4, 8). Então podemos dizer que as verdadeiras mães têm muito ‘de divino’. São divinas à medida que amam e ensinam a amar esse Deus e os irmãos, mandamento máximo, ensinado por Jesus Cristo. O Senhor abençoe nossas mães para que, junto com os pais, sejam as primeiras catequistas da iniciação cristã dos filhos, sobretudo pelo testemunho do amor e da fé em seus lares.

 

 

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