Bispos › 24/02/2017

Iniciação à Vida Cristã: o foco da evangelização na Diocese

Dom Adelar Baruffi – Bispo da Diocese de Cruz Alta

 

Aos poucos, nossa Diocese vai compreendendo o significado e os necessários desdobramentos do que já assumimos em nosso 19º Plano da Ação Evangelizadora: “promover o processo da Iniciação à Vida Cristã como eixo integrador de toda a ação eclesial.” Já damos importantes passos, sobretudo na catequese a serviço da iniciação à vida cristã, integrada com a liturgia, a comunidade de fé, a leitura orante da Palavra e a vida. Ainda não temos tudo claro, vamos construindo juntos, buscando iluminação com assessorias, estudos e experiências já realizadas. Vimos com muita esperança o fato que o tema central da 55º Assembleia Geral da CNBB, deste ano,será sobre “A iniciação cristã no processo formativo do discípulo missionário de Jesus Cristo.” Contudo, todos nós, bispos, padres, religiosos e leigos envolvidos na ação evangelizadora temos certeza que não podemos mais supor que nossos batizados, pelo fato de terem realizado a catequese, já tenham consciência de sua condição de discípulos de Jesus Cristo, tendo livremente aderido a Ele, vinculados numa comunidade de fé e vivendo as consequências éticas desta fé professada.

Nos é pedido uma mudança de mentalidade, já tantas vezes falada. Esta inicia com a dimensão missionária dos cristãos que já participam da comunidade e que são chamados a irem ao encontro, fazerem-se próximos e oferecerem a possibilidade de um caminho que dê continuidade ao aprofundando da sua fé. Não para ensinar teorias ou normas, mas para proporcionar um encontro com Jesus Cristo, sua Palavra e a Eucaristia. Assim como a formação humana, também a formação cristã é permanente, dura toda a vida. Todo esforço da transmissão da fé, de iniciar na vida cristã, torna-se em vão quando não se oferece estruturas comunitárias para viver essa mesma fé e aprofundá-la continuamente. Daí a importância de um vínculo com um grupo específico, um grupo de reflexão. Este é o espaço privilegiado de continuidade da formação cristã, com a Palavra que é rezada, meditada e estudada, com a vida que é partilhada com irmãos de fé. Temos o desafio de motivar nossos grupos a realizarem encontros não somente em ocasiões especiais, como Natal, Páscoa e a Romaria Diocesana, mas mais frequente e contínua.  Tornar-se adulto na fé é um processo longo e de muita persistência.

Em cada comunidade da Diocese vamos preparando e formando os cristãos para que priorizem tudo o que se refere à formação cristã dos seus membros: catequistas, ministros, liturgia, missionários, animadores de grupos de reflexão. À medida que a comunidade cresce na maturidade da fé é conduzida para fora de si mesma, ao encontro das realidades sociais de sofrimento. Não há nenhuma comunidade que pode sentir-se dispensada da proximidade misericordiosa com os pobres, que se apresentam de muitas maneiras. A comunidade inclui a todos, mesmo os que a procuram ocasionalmente, para ser o espaço de acolhida e possibilidade de conversão. Não se trata de dispersar forças, multiplicando pastorais, mas cuidar para que os pobres e sofredores nunca fiquem esquecidos. Uma comunidade indiferente aos sofredores ainda não conseguiu compreender de maneira madura a fé.

Convido a todos a nos empenharmos neste processo, pois nele está o caminho para levar as pessoas a um contato vivo e pessoal com Jesus Cristo e ao compromisso com Ele, com a Igreja e a missão. Estaremos, sem dúvida, colaborando de modo eficaz na formação de discípulos missionários de Jesus para a realidade do mundo de hoje.

 

 

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