Bispos › 15/12/2017

João Batista – A voz que clama no deserto

 Dom José Gislon – Bispo Diocesano de Erexim 

Vice-presidente Regional Sul 3 da CNBB

Neste domingo concluiremos a Campanha para a Evangelização, que, neste Ano Nacional do Laicato, teve como tema: “Cristãos leigos e leigas, comprometidos com a Evangelização”. Para quem é cristão, comprometer-se com a evangelização não deveria ser uma coisa extraordinária, mas ordinária, um compromisso de fé, fruto do batismo que nos fez renascer como novas criaturas, filhos e filhas de Deus, inseridos numa comunidade de irmãos e irmãs que acolheram no coração o Senhor Jesus e seus ensinamentos, e por Ele foram acolhidos com amor, compaixão e misericórdia.

Quem se compromete assume responsabilidades por uma causa. Atualmente, está na moda a cultura da indiferença, na qual todos se acham no direito de opinar, de questionar, de criticar, mas poucos aceitam deveres, que pedem para deixar de lado o comodismo e a indiferença, para assumir compromissos que envolvam renúncia e doação de “si” pela causa do Evangelho e do bem comum, na comunidade de fé ou nas instituições da sociedade.

O altruísmo que dá sentido maior à vida, quando colocada também a serviço da vida dos outros, parece estar vivendo à sombra do egoísmo, do “eu”. A figura de João Batista, o precursor do Messias, nos questiona, porque ele foi tão desejado e esperado por seus pais. Mesmo assim, não impediram que seguisse sua vocação e cumprisse com nobreza e altruísmo sua missão. Pelo seu testemunho de vida e pela sua pregação, preparou muitos corações para acolherem o Messias e Salvador Jesus Cristo.

João Batista teve a graça de testemunhar a presença do Verbo encarnado, que é a luz do mundo, curando as feridas espirituais e sociais do povo de Deus. A bela, nobre e árdua missão vivida por João Batista lhe custou a vida, mas também é fonte de alegria, porque ele é “o” amigo de Jesus, esposo da nova aliança. A sua alegria pode também tornar-se nossa, se, encontrando Jesus, o acolhermos, aprendermos a conhecê-lo e nos tornarmos suas testemunhas, através da participação na obra de evangelização, anunciando-o ao mundo, pelo testemunho de uma fé comprometida com a proteção e o cuidado da vida, da Casa Comum e do bem de todos na sociedade.