Bispos › 08/03/2017

Liturgia da Quaresma com inspiração catecumenal

Dom Aloísio A. Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul

A diocese de Santa Cruz do Sul, a partir da 12ª Assembleia Diocesana, deu prioridade pastoral para a Iniciação à Vida Cristã. Esta é entendida como um itinerário litúrgico-catequético que inicia as pessoas no mistério de Cristo (experiência da união com Deus) e ajuda a amadurecer na fé e comunhão da Igreja (inserção na comunidade). Como já acontecia nos primórdios do cristianismo, os catecúmenos – aqueles que devem ser iniciados na fé – começam a caminhada para Deus, rumo à maturidade em Cristo. Este processo acontecia numa integração próxima da catequese e da liturgia. Os antigos até diziam: “Lex orandi – lex credendi” = “oramos como cremos e cremos como oramos”. A reforma provocada pelo Concílio Vaticano II tentou recuperar, na composição do atual Lecionário (Livro das Leituras), a riqueza litúrgica presente nos primeiros séculos do cristianismo, sobretudo na escolha dos Evangelhos.

Em nosso Ano Litúrgico de 2017, a Palavra de Deus proclamada nos domingos e solenidades segue a distribuição do Ano A. Percebemos nitidamente como as leituras dos Domingos da Quaresma, já usados nos primeiros séculos da era cristã, têm uma nítida orientação catecumenal na sua escolha. A reforma litúrgica do Vaticano II, felizmente, retomou esta riqueza da Igreja primitiva. Veremos a seguir como os cinco domingos da quaresma se orientam por leituras da Palavra de Deus que formam unidade e estão ligadas aos sacramentos da iniciação cristã, sobretudo do Batismo. Vejamos como isso acontece e continua valendo para nós, em nosso tempo de quaresma, de renovação de nossa vida cristã:

  • Primeiro Domingo da Quaresma: A leitura do Antigo Testamento (cf. Gn2, 7-9; 3, 1-7) narra a criação de Adão e Eva (primeiros seres humanos) e sua posterior desobediência, sua derrota para a serpente (demônio), seu pecado (morte), sua tentativa de igualdade com Deus. No evangelho (cf. Mt 4, 1-11) Jesus Cristo é apresentado como o novo Adão, aquele que também é tentado no deserto, pela mesma serpente (demônio), mas obedece ao plano do Pai e vence o pecado (morte), oferecendo nova vida. O catecúmeno, que deseja ser iniciado na fé, ou aquele que já é cristão, justificado e unido a Cristo, também podem vencer o mal e alcançar a verdadeira vida: “Onde abundou o pecado superabundou a graça”, afirma a segunda leitura (cf. Rm 5, 12-20). Percebemos intencional paralelo entre Adão – símbolo da desobediência, do pecado e da morte – e Jesus Cristo, aquele que foi obediente até a morte e trouxe a justificação e a nova vida. São leituras que animam os que estão sendo iniciados na fé cristã ou que a renovam, por ocasião da celebração do mistério pascal.

Na próxima semana, continuaremos a reflexão sobre as leituras da Palavra de Deus, escolhidas com inspiração catecumenal. Que o Senhor nos impulsione, também hoje, no processo de conversão, de renovação de nossa vida cristã e consequente preparação para a Páscoa, dando-nos a força necessária para a perseverança na luta contra o mal e na busca constante de nova vida. Boa quaresma!

 

 

 

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