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Mãe, gratidão e amor

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Repetimos muitas vezes que Deus é Pai, mas quando queremos evocar a sua ternura, geralmente dizemos que “Deus é pai, mas tem um coração de mãe”, isto é, tem sensibilidade em relação às nossas alegrias, angústias e sofrimentos. Diante dele nós podemos abrir o coração, assim como fazíamos quando éramos criança com a mãe. Era ela que geralmente procurávamos para expressar sentimentos e buscar, num abraço, o consolo e o remédio que enxugava as nossas lágrimas e curava as feridas. O tempo passou, mas seus braços, mesmo não tendo o vigor de outrora, continuam nos acolhendo num abraço com amor. Amor que traz consigo a sabedoria, que só o tempo pode dar, que sabe curar as feridas do amor ferido, sem deixar perder a esperança de continuar acreditando, na vida e no amanhã.

O descaso, a falta de amor ou afeto na vida de uma pessoa, pode ter muitas consequências, principalmente na infância, mas a vida é para todos uma escola de aprendizado, na qual somos discípulos e mestres. Quem não foi amado quando criança, não significa que não pode aprender a amar e a valorizar o sagrado dom da vida.

O dia das mães é uma data propícia para expressarmos nossa gratidão por aquela pessoa que nos acolheu, nos amou e nos defendeu, quando ainda nem sabíamos o quanto este mundo era bonito e, ao mesmo tempo, violento e pouco amigo da vida. Ela foi a primeira pessoa que valorizou a nossa vida, porque foi a primeira a saber que tínhamos sido concebidos. Mas também é uma data para refletirmos e revermos as nossas atitudes em relação à família. Quando vemos mães abandonadas, é porque já perdemos a sensibilidade de amar quem primeiro nos amou, ou talvez perdemos a noção do que é o verdadeiro amor: o amor gratidão, o amor cristão, que é capaz de amar além das aparências e dos erros e acertos das pessoas, mas amar porque no amor está a essência da nossa fé.

A você, querida mãe, que muitas vezes chora escondido a dor do abandono, daqueles que você amamentou e carregou nos braços. A você, querida mãe, que consumiu num trabalho árduo o vigor da sua juventude, para poder oferecer melhores condições de vida para seus filhos. A você, querida mãe, que vive uma maternidade de amor constante, nas obras de caridade. A você, querida mãe, que vive a maternidade como um dom de Deus para os seus e para com a humanidade. Que Deus, fonte do amor e da vida, a abençoe hoje e sempre.

Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul