Bispos › 27/10/2017

Maria – Mãe e modelo de discípula

Dom Aloísio A. Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul

O Concílio Ecumênico Vaticano II considera Maria Santíssima como modelo de ser Igreja, Povo de Deus. Ela, a partir da fé e da obediência, consagrou-se totalmente como serva do Senhor, sempre disposta a fazer sua vontade. Por isso o Concílio quis destacar seus méritos na salvação realizada por seu Filho Jesus Cristo, com estas palavras: “Ela ocupa o lugar mais alto depois de Cristo e o mais perto de nós” (LG 54).

A união (simbiose) entre Mãe e Filho na obra da salvação manifestou-se desde sua concepção até a morte na cruz, onde ela foi dada por Jesus como mãe para todo gênero humano, na pessoa de João (Jo 19, 26-27). Maria fez-se presente também na vinda do prometido Espírito Santo, em Pentecostes (At 1, 14), no alvorecer da Igreja. Afirma ainda o Concílio Vaticano II: “Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminou o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste” (LG 59). Sua assunção não foi separação, pois Maria está sempre relacionada com a Igreja. Ela é o modelo de Igreja, exemplo de virtudes, sobretudo de união com Cristo. Como membro do Corpo Igreja, por sua constante intercessão, continua a cuidar dos irmãos de seu Filho, que ainda peregrinam sobre a terra, qual medianeira ou advogada, mesmo sendo Cristo nosso único mediador (LG 62-63). Por isso ela é honrada com culto especial pela Igreja, mas este sempre deve conduzir a Cristo: “Origem de toda verdade, santidade e piedade” (LG 67).

Na sua admoestação final, ao falar do culto a Maria, o documento conciliar afirma: “Saibam os fiéis que a verdadeira devoção não consiste num estéril e transitório afeto, nem numa certa vã credulidade, mas procede da fé verdadeira pela qual somos levados a reconhecer a excelência da Mãe de Deus, impulsionados a um amor filial para com nossa Mãe e à imitação das suas virtudes” (LG 67).

Ao venerarmos a Virgem Maria, como Mãe de Deus, ela não se distancia de nós, antes, torna-se também nossa Mãe. Ela concebeu o Verbo da Vida no coração e no corpo. Já diziam os Santos Padres: “Prius in mente quam ventre Maria concepit” (Maria concebeu antes na mente do que no ventre), pois antes de conceber o Verbo ela já o havia concebido em sua fé, seu coração, sua vida. Citando S. Ambrósio, Bento XVI afirma que, pela fé, Cristo vem habitar também em nossa vida: “Cada cristão que crê, em certo sentido, concebe e gera em si mesmo o Verbo de Deus: se há uma só Mãe de Cristo segundo a carne, segundo a fé, porém, Cristo é fruto de todos” (VD 28). Além disso, destacando o discipulado fiel de Maria, lemos nos Sermões de S. Agostinho: “Santa Maria fez totalmente a vontade do Pai e por isto mais valeu para ela ser discípula de Cristo do que mãe de Cristo; maior felicidade gozou em ser discípula do que mãe de Cristo. Assim Maria era feliz porque, já antes de dar à luz o Mestre, trazia-o na mente” (Sermo 25,7 in LH, vol. IV, p. 1466). Maria nos conquiste e ensine como acolher, seguir e anunciar Jesus Cristo em nossa vida e em nosso tempo. Que a celebração dos 300 anos de Aparecida, os 100 de Fátima e outras datas jubilares nos façam ir além de simples busca devocional e passageira, mas nos conduzam a Jesus Cristo e nos façam verdadeiros discípulos seus, como Maria o foi.

 

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