Bispos › 21/04/2017

Misericórdia e vida nova

Dom José Gislon – Bispo Diocesano de Erexim

Vice-presidente do Regional Sul 3 da CNBB

A vida é marcada por tantos momentos significativos que podemos vivê-los à luz da fé, do amor e da misericórdia de Deus. Celebramos há poucos dias a Páscoa da ressurreição do Senhor Jesus, nosso salvador. Lendo os Evangelhos, podemos perceber que alegria, medo, incertezas e esperança tomaram os corações dos discípulos, que alimentavam grandes sonhos em relação ao Mestre, mas não estavam preparados para suportar a humilhação da cruz, ou perder a vida pela causa do Reino.

Os discípulos viviam a realidade humana, com todas as suas ambições e fragilidades. Caminharam com o Mestre, mas ainda não tinham entendido a dimensão do mandamento do amor, que leva a esvaziar-se a ponto de entregar a própria vida pela dos outros. Eles precisaram reconstruir a vida de discípulos do Senhor a partir do túmulo vazio. Um caminho feito de pequenos passos, no qual,  a vida, as provações e a morte passaram a ter um novo sentido pela fé no Cristo ressuscitado.

O mandamento do amor, vivido plenamente na cruz, traz consigo a dimensão da misericórdia. Uma misericórdia que não ignora a realidade da culpa e a necessidade da conversão, mas tem no coração o primado do perdão que exclui qualquer juízo definitivo e impiedoso. Por isso, é indispensável para a vida em família, na comunidade e na sociedade desenvolver e ter capacidade de perdoar. Sem a misericórdia e o perdão, facilmente podemos despedaçar a vida de uma pessoa, de uma família e de uma comunidade. Misericórdia e perdão caminham juntos, guiados pelo amor que une, defende e protege a vida e sua dignidade.

A Páscoa nos fala de vida nova em Cristo ressuscitado, mas o nosso modo de agir e testemunhar a nossa fé podem ser mais sinais de morte do que de vida, se não manifestarmos amor e misericórdia com as pessoas com quem convivemos no cotidiano.

Celebrar o tempo pascal é percorrer um caminho de crescimento humano e espiritual, como fizeram os discípulos, deixando que a luz do ressuscitado, ilumine a nossa vida a partir do nosso coração.

 

 

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