Destaques › 02/05/2018

Missa de ação de graças celebra cem anos de Erechim

Diocese de Erexim – O toque dos 3 sinos da Catedral São José, às 19h30, na sexta-feira, 27 de abril, dia de Santa Zita, padroeira das servidoras domésticas, anunciou para a cidade de Erechim o início da missa de ação de graças pelo centenário do município. O ressoar dos sinos teve especial significado porque estes foram inaugurados justamente num 27 de abril, o de 1937, há 81 anos, portanto. Após o toque dos sinos, o coral N. Sra. de Fátima, sob a regência do Pe. José Carlos Sala, com toda a assembleia litúrgica, cantou o refrão de louvor: “entoai ação de graças e cantai um canto novo. Aclamai a Deus Javé, aclamai com amor e fé”. A celebração eucarística foi presidida por Dom José e concelebrada por Dom Girônimo e dez padres, com a participação de 4 diáconos, religiosas, seminaristas, autoridades do Poder Executivo, Legislativo, Judiciário, da Segurança Pública, representantes das entidades de classe, da congregação israelita e de Igrejas ecumênicas.

O tijolo de cada pessoa na história do município

Dom José iniciou sua homilia saudando as autoridades e todos os presentes, mas recordando também os outros munícipes, neste Ano Nacional do Laicato e na proximidade do dia do trabalhador e da trabalhadora. Frisou que se estava louvando a Deus pelo centenário do município, sua realidade atual e a esperança pelo futuro deste lugar. Recordou que Jesus, conforme o evangelho, amou a cidade em que se havia criado, Nazaré, e que era reconhecido como o filho do carpinteiro José, daquela localidade. O Bispo ressaltou a fé dos pioneiros, seus valores éticos e morais. Referiu-se aos homens e mulheres de Deus que assistiam o povo com amor e fervor, dando destaque ao Pe. Benjamin Busato. Enfatizou que cada munícipe é chamado a colocar, na construção da comunidade um tijolo a cada dia, não só o tijolo de barro, mas o tijolo do bem, que se torna visível em tantas pequenas ações do dia a dia, na educação, na saúde, na caridade, no cuidar da casa comum que acolhe esta grande família erechinense. Exaltou a bravura dos pioneiros, o empreendedorismo das gerações que os sucederam, a criatividade da geração atual que trabalha arduamente para que todos tenham dignidade de vida no presente, com esperança em relação ao futuro. Concluiu desejando que Deus acolha os antepassados falecidos na sua santa morada e derrame abundantes graças sobre o povo do município.

Leia a homilia de Dom José, na íntegra:

Missa de Ação de Graças
Centenário de Erechim – Catedral São José, 27/4/2018
Saúdo o Bispo emérito, Dom Girônimo Zanandréa, o pároco da Paróquia Catedral São José, Pe. Alvise Follador, e através dele todos os sacerdotes, diáconos, religiosas, seminaristas.
Saúdo o Prefeito Municipal, Senhor Luis Francisco Schmidt, o Vice-Prefeito, Senhor Marcos Lando, recordando todos os que durante os 100 anos deste município de Erechim que estamos celebrando exerceram aqui o Poder Executivo, os que estão em vida e também aqueles que partiram para o repouso eterno na casa do Pai; minha saudação igualmente aos Secretários e Secretárias das várias Secretarias Municipais que dão assistência à população do nosso Município. Penso que cada governo empenhou-se e empenha-se para semear a semente do progresso, do bem e da paz, para melhorar a vida dos munícipes ao longo destes cem anos.
Saúdo o Presidente da Câmara de Vereadores, Senhor Rafael Martins Ayub; em sua pessoa, saúdo todos os Vereadores da atual legislação, sem deixar de fazer memória de todos aqueles e aquelas que durante estes cem anos participaram do Poder Legislativo, ouvindo a comunidade, seus anseios e necessidades, transformando-os em projetos e leis que certamente muito contribuíram para o seu crescimento, tornando Erechim um município acolhedor, que sabe valorizar com gratidão seus antepassados, sem descuidar do presente e alimentando esperança em relação ao futuro no coração das novas gerações.
Saúdo as autoridades do Poder Judiciário aqui presentes ou representadas; as autoridades da Segurança Pública, integrantes da Brigada Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Delegacias de Polícia; os representantes das entidades de classe, CDL, ACCIE, OAB, da Educação e da Saúde, dos Sindicatos e outras que se ocupam do cuidado e bem-estar do nosso povo.
Com estima, saúdo todos os presentes, neste Ano Nacional do Laicato, na proximidade do dia do trabalhador e da trabalhadora, mas permitam-me colocar nesta celebração de ação de graças, diante do Senhor da vida, todas as pessoas do nosso município, independentemente do credo que professam ou da sua opção religiosa.
Queridos irmãos e irmãs, o Salmo 144 inicia com palavras que nos falam da presença do Senhor na história humana: “Ó meu Deus, quero exaltar-vos, ó meu Rei, e bendizer o vosso nome pelos séculos”. Estamos aqui dando graças a Deus pelo centenário do nosso Município, pela nossa história, pelos feitos de ontem, pela realidade do hoje e pela esperança que trazemos no coração em relação ao futuro da nossa cidade.
São Paulo, na carta aos Colossenses (Col 3,12-17), dirige-se a todos os batizados, chamando-os a uma vida em comunhão com o Ressuscitado. Não é uma lista de coisas a evitar e de coisas a fazer. Porém nos recorda que o batismo é o ponto de partida e de chegada, e o amor é o dinamismo fundamental da vida cristã. Um amor aberto ao perdão e à reconciliação, que nos proporciona a paz de Cristo. “E tudo quanto fizermos por palavras ou por obras, devemos fazê-lo em nome do Senhor Jesus, dando graças por ele a Deus Pai”.
A vida humana, espiritual e profética de Jesus, o enviado do Pai, é manifestada, primeiramente, na sua pequena cidade de Nazaré, onde ele vivia e participava da vida da comunidade. Foi lá que o Espírito do Senhor manifestou-se sobre ele, tornando-o conhecido como Jesus de Nazaré. E ele não deixou da amar a sua cidade, de viver a sua missão no mundo, mesmo sendo para muitos apenas o filho do carpinteiro José.
Deus, Pai e Criador, quis que no centro do mundo não estivesse um ídolo, mas o homem e a mulher, que com o próprio trabalho fazem avançar a sua obra, construindo uma sociedade fraterna marcada pela valorização da vida, da família, pelo cuidado do bem comum, pela inclusão dos idosos, dos jovens e das crianças, e não de exclusão dos pobres e dos menos favorecidos.
Hoje damos graças a Deus pelo centenário de Erechim, pelos pioneiros, que traziam no coração a fé, que lhes deu a força de superarem os desafios, de manterem a tenacidade, o amor pela vida e a esperança no futuro. O espírito de comunidade do nosso povo manifestou-se na edificação dos locais para as celebrações religiosas, as festas, a educação, o cuidado da saúde, a promoção humana e as obras sociais.
Não podemos esquecer que a fé e o heroísmo faziam parte da vida dos pioneiros, ajudando-os a superarem as condições precárias da realidade em que se encontravam. Não faltaram mãos amigas, homens de Deus que assistiam o povo com amor e fervor em suas necessidades, que davam acompanhamento constante aos agricultores e aos núcleos urbanos. Entre eles, o Pe. Benjamin Busato, Pároco da Paróquia São José de 1926 a 1950, estudioso e escritor. Deu especial atenção à catequese familiar; incentivou decisivamente a Romaria da Salette; empenhou-se pela defesa e promoção dos agricultores; teve também atuação sócio-política por suas iniciativas em favor do desenvolvimento da região.
O nosso povo têm a riqueza cultural das várias etnias que o compõem, mas também os valores da fé, o apreço pelo trabalho, pelo progresso, pela justiça e pela paz, sem perder o senso de corresponsabilidade pelo bem comum da coletividade, da comunidade do meio rural ou urbano que nos acolhe, onde cada um é chamado a construir ou colocar um tijolo a cada dia, não só o tijolo de barro, mas o tijolo do bem, que se torna visível em tantas pequenas ações do dia a dia, na educação, na saúde, na caridade, no cuidar da casa comum que acolhe esta grande família erechinense.
Nossos antepassados nos ensinaram a não temermos o futuro. Eles souberam se reinventar, através das mudanças da história. Por isso, não devemos ter medo de darmos espaço à criatividade, de termos amor pela nossa terra, pela empresa de trabalho, de cultivarmos paixão e orgulho pela obra das mãos dos trabalhadores, educadores, políticos e empresários que fizeram a fazem história, que no passado e no presente continuam construindo o nosso município, seja na área urbana seja na rural. O empresário é uma figura fundamental de todas as boas economias: não existe economia boa sem empresários bons. Não há boa economia sem bons empresários, sem a sua capacidade de empreendedorismo, de criar trabalho, criar produtos, que tenham estima pela cidade, pela qualidade de vida dos trabalhadores e também pelo meio ambiente.
Com espírito de amor e gratidão, hoje colocamos diante de Deus, em ação de graças, cem anos de história do nosso Município de Erechim. Podemos dizer que é um centenário que tem o rosto e as marcas do nosso povo, da nossa gente, de ontem e de hoje. Um centenário marcado pelo rosto da fé, da família, do trabalho, do amor, da paz, da justiça, da solidariedade, pela bravura dos pioneiros, pelo empreendedorismo das gerações que os sucederam, pela criatividade da geração atual que trabalha arduamente para que todos tenham dignidade de vida no presente, sem deixar de semear a esperança em relação ao futuro.
Que Deus Pai, na sua infinita misericórdia, acolha nossos antepassados falecidos na sua santa morada. E derrame abundantes graças sobre o povo do nosso município e sobre todos aqueles que por aqui passarem. Amém

(Fonte: Diocese de Erexim)