Bispos › 08/09/2017

Missão profética do Povo de Deus

Dom Antônio Keller – Bispo de Frederico Westphalen

O profeta Ezequiel exerceu a sua missão profética em tempos difíceis. Era um sacerdote que foi chamado para profetizar durante o Exílio do povo judeu na Babilônia, tendo exercido sua atividade entre os anos 593 a 571 AC. Diz-se que fundou uma escola de profetas e que ensinava a Lei à beira do Rio Kebar que atravessa a cidade de Babilônia.

São curiosas as visões que o profeta teve sobre a glória de Deus e os sinais que aconteceram em sua própria vida demonstrando a ação de Deus são fortes e marcantes. Ezequiel perdeu a sua esposa como sinal da queda de Jerusalém.

A comunidade, no meio da qual ele vivia, acreditava que em breve tudo voltaria a ser como antes; para os seus contemporâneos, o projeto de Deus era um mero sistema que lhe dava segurança. Ezequiel, no entanto, sabe que o sistema passado estava em agonia de maneira irrecuperável, pois Jerusalém seria destruída.

«Eis o que diz o Senhor: “Filho do homem, coloquei-te como sentinela na casa de Israel.”», nos diz a 1ª Leitura deste Domingo (Ezequiel 33,7-9).

Numa organização militar, a segurança de todo o acampamento ou quartel depende da sentinela vigilante. Ele tem por missão alertar a todos contra o inimigo.

Se a sentinela for negligente na missão que lhe foi entregue, o inimigo apanhará de surpresa a todos, sem se poderem defender. Os hebreus deviam ajudar os que estavam vacilantes na fé, acautelando-os dos perigos.

O Senhor quer fazer de cada um de nós sentinela de toda a Igreja, avisando dos perigos de salvação todos os que pertencem a esta cidade de Deus. O perigo pode estar numa companhia, num meio que se frequenta, num livro, num filme ou num programa de televisão, etc.

O aviso oportuno pode levar a pessoa avisada a uma de duas reações:

  • Há quem se zangue porque alguém incomodou a sua preguiça ou orgulho. É uma atitude louca.
  • Outros preferem agradecer a ajuda recebida e aproveitá-la.

A missão de sentinela é incômoda, não só porque exige de quem a exerce uma atenção permanente, mas ainda porque é preciso descobrir o perigo — algumas vezes disfarçado — e correr o incômodo de avisar, sem perda de tempo, aquele que está em perigo.

Por isso, a primeira tentação é a de fechar os olhos, fingindo que se não vê, e deixar correr, até que as coisas se resolvam por si mesmas.

Para reconhecer a existência concreta de um perigo é preciso ter fé. Há pessoas para quem tudo está bem, porque não têm fé nem caridade.

Aprendamos a ouvir as correções que o Senhor nos faz, e também a corrigir caridosamente os nossos irmãos.

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