Notícias › 24/05/2017

Victória Holzbach, leiga missionária em Moçambique

VicAmigas e amigos,

Estimados padres, leigas e leigos, o desejo de uma Igreja em Saída é que nos une.

Me chamo Victória Holzbach e sou leiga missionária, enviada pela Arquidiocese de Passo Fundo e pelo Regional Sul 3 para Moma, no norte de Moçambique. Sou natural de Passo Fundo e desde criança participo da comunidade da paróquia Catedral Nossa Senhora Aparecida. Os grupos de jovens, o Setor Juventude e a experiência como jornalista da Arquidiocese despertaram ainda mais em mim este desejo missionário. Com 25 anos cheguei a África, em setembro de 2016 e hoje já são 8 meses de missão.

Acredito que um mundo muito melhor se constrói quando somos capazes de compreender com compaixão e empatia a cultura, a religião, os costumes, as opções e os contextos sociais, políticos e históricos de um povo.

A Igreja Católica do Rio Grande do Sul mantem há 24 anos este projeto de apoio à Arquidiocese de Nampula, em Moçambique. A pequena vila de Moma, no litoral leste da África, é nossa casa, centro da missão, que acolhe a equipe missionária composta por mim e pelos padres Domingos Rodrigues (Diocese de Bagé), Atílio Zatycko (Diocese de Cachoeira do Sul) e Luiz Alves (Diocese de Itabuna – BA).

Daqui, nos deslocamos para mais de 150 comunidades nas duas paróquias que atendemos. Algumas destas comunidades se distanciam até 110km de nossa casa, em estradas precárias cortadas por rios e matos. Ainda há aquelas comunidades em que só é possível chegar com Bicicleta ou passo a passo. Mas estes caminhos desafiadores também complementam a nossa alegria na missão.

Aqui, o nosso projeto missionário também se preocupa em ir além do atendimento religioso e sacramental. Atentos à realidade social do povo local, desenvolvemos alguns projetos sociais na Vila de Moma, como uma Biblioteca Comunitária (foto ao lado), uma Associação de Fotocopiadoras, um projeto de alfabetização e reforço escolar para crianças e adultos, acompanhamento nutricional para recém-nascidos e produção e distribuição de remédios naturais.

Nossos dias têm tudo, menos rotina. Muitas vezes fazemos planos para o dia seguinte, que são alterados por inúmeros motivos. Ou falta energia, ou o carro estraga, ou surge alguém que precisa de ajuda, ou chove muito e bloqueia Foto lado -1a estrada.

Sempre acreditei muito mais no coração das pessoas do que naquilo que aparentam ser. Por isso a simplicidade daqui me encanta. É um país pobre, com pessoas pobres, em sua maioria camponeses. Nossas “roupas de andar em casa” aí são “roupas de ir na missa” por aqui.

São todos muito humildes e desprovidos até do básico para viver, o que faz com que qualquer coisa pequena seja sinal de alegria. Isso torna a vida muito mais simples, porque nos faz perceber o que é realmente essencial.

Para as crianças, em casa há pouco para fazer. Não há caixa de brinquedos, carrinhos, bonecas, videogames, televisão ou tecnologias. Brinquedo é aquilo que se acha na rua, se (re)constrói, se (re)cria. As crianças que vão à escola são poucas e as motivações para irem menores ainda.

As alegrias, desafios e esperanças da missão nos movem e nos fazem seguir caminhando. Neste caminho, esperamos não estar sozinhos. Contamos sempre com as orações daqueles que fogem de uma Igreja tranquila e sonham e lutam por uma Igreja missionária, que arrisca se acidentar para ir ao encontro de suas ovelhas.

Foto lado -2Esta construção acontece também através de gestos concretos pela missão, expressos, entre outras formas, na Coleta de Pentecostes. O Espírito Santo que nos fortalece e nos anima, também nos impele  a oferecer aquilo que temos no dia 04 de junho, através das coletas de nossas paróquias e comunidades. Em nosso Estado, os valores ofertados neste dia pelos católicos nas celebrações são destinados integralmente para a ação missionária do Regional Sul 3 da CNBB. Dentro desta ação, está o projeto Igreja Solidárias, que envia os missionários e mantem os projetos da missão aqui em Moçambique.

Contamos com a sua sensibilidade e colaboração porque partilhamos da crença de que uma Igreja Missionária é verdadeira testemunha da misericórdia e do amor.

O melhor lugar do mundo é onde somos capazes de ser amantes e amados. Ousemos sempre amar.

Seguimos juntos, em ação missionária pela vida e pelo novo mundo que acreditamos.

 

 

Em sintonia,

Victória Holzbach

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.