Bispos › 13/01/2017

Não à violência

Dom Hélio Adelar Rubert – Arcebispo Santa Maria

dom-helioA cidade de Santa Maria fechou o ano de 2016 com 66 homicídios. Esta estatística nos assusta. Qual o valor e o respeito que se tem pela vida humana? A noite da virada do ano questiona a sociedade pelos grandes gastos com fogos de artifícios. É uma noite de alegria, confraternização, festa, ação de graças e esperanças pelo futuro. É preciso festejar sim,  mas precisamos melhorar muitas coisas.

O absurdo na queima de fogos de artifícios necessita urgentemente uma legislação severa. Não há bom senso na explosão de certos artefatos que são verdadeiras bombas entre os prédios, as casas, os idosos, as crianças e animais. Fazem um estrondo que prejudica a saúde da população, dos animais e da ecologia.

Todo esse dinheiro é queimado pelos ares, em fração de segundos, quando, grande parte da população, passa fome. Não seria o caso de fazer uma campanha de solidariedade, por exemplo: “Na alegria do Ano Novo: Construa a Paz” ou “Solte um rojão de alegria ajudando os pobres”?

Podemos criar uma nova cultura ao festejar a troca de novo ano, mais na confraternização modesta e sadia, na ação de graças, no louvor a Deus, no encontro das famílias, dos amigos e vizinhos.

Todo início de Ano é Dia da Paz. A paz se celebra e se constrói na não violência. A caridade e a não-violência deveriam guiar nossas relações interpessoais, sociais e internacionais neste novo ano.

Na sua mensagem para o Dia da Paz, o Papa Francisco diz que no século passado o mundo viveu duas guerras mundiais devastadoras. Hoje, porém, está de braços com uma terrível guerra mundial aos pedaços. A violência provoca enormes sofrimentos pelo terrorismo, pela criminalidade, ataques armados imprevisíveis, abusos sofridos pelos migrantes e refugiados e pelas vítimas do tráfico humano, a devastação ambiental, os conflitos armados em diversos países e continentes. A violência não é o remédio.

O Papa Francisco ressalta que Jesus traçou e percorreu o caminho da não violência como também Madre Tereza de Calcutá, Gandhi, Martin Luther King e outros. As bem-aventuranças são o “manual” da estratégia na construção da paz. São um programa e um desafio para os discípulos de Jesus e para os líderes políticos e religiosos. Daí a necessidade de banir dos corações as palavras e os gestos de violência e construir comunidades não violentas que cuidem da Casa Comum: o Planeta Terra.

 

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