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No Senhor está a misericórdia e a abundante redenção

 

Desde o princípio dos tempos, como nos ensina a 1ªLeitura deste Domingo (Gênesis 3,9-15) o demônio, pai da mentira, conseguiu enganar nossos primeiros pais, Adão e Eva, e, ao longo da história, continua a seduzir a humanidade com suas artimanhas. Logo após a primeira queda, Deus, nosso Pai amoroso, prometeu que alguém da descendência da mulher esmagaria a cabeça da serpente enganadora. Essa promessa se cumpriu com Maria Imaculada, a bendita entre todas as mulheres, que se tornaria a Mãe puríssima de Jesus, o Redentor da Humanidade. Com a Graça que Jesus obteve para nós, e a intercessão valiosa de Maria Santíssima, encontramos as forças necessárias para resistir às tentações do mundo, do demônio e da carne.

Não foi fácil para o demônio enganar nossos primeiros pais, que não tinham inclinações para o mal. Contudo, ele conseguiu fazê-los duvidar do amor de Deus, despertando neles o orgulho e fazendo-os ver o Senhor não como um amigo, mas como um rival. Hoje, o demônio continua a nos tentar, explorando nossas fraquezas e apontando caminhos errados. Ele usa suas mentiras para nos enganar, estimulando o poder, o orgulho, a vaidade, o ódio e a sensualidade. Para isso, recorre, por exemplo, aos poderosos meios de comunicação disponíveis atualmente, confirmando as palavras de Jesus de que “os filhos das trevas são mais expertos que os filhos da luz”.

Deus nunca nos abandona. Assim, devemos entender bem as palavras de São Paulo, na 2ªLeitura de hoje (2 Coríntios 4,13-18-5,1): “Por isso, não desanimamos”. É preciso sempre ter coragem para enfrentar as contrariedades e solicitações do inimigo de Deus.

Jesus, nosso Redentor, não nos deixou sozinhos nos caminhos da vida. Ele permanece presente na Santíssima Eucaristia e nos orienta com sua Palavra. Ter fé para vê-lo e encontrá-lo deve ser uma preocupação constante em nossa vida. É necessário cuidar de nossa vida, para não cairmos na tentação de cometer o pecado mais grave que existe sobre a face da terra: aquele de não sermos capazes de reconhecer a vontade de Deus e as obras de Deus presentes e atuantes em nossa vida e nas realidades do mundo. A cegueira de alguns parentes de Jesus e dos mestres da Lei de seu tempo, narrada no Evangelho de hoje (Marcos 3,20-35), foi e continua sendo um obstáculo para reconhecer a ação de salvação de Deus em nossos tempos.

Para manter e fortalecer esta virtude fundamental da fé, que ilumina e dá sentido à nossa jornada, é fundamental manter sempre viva a nossa fé, mediante uma vida sacramental consistente, especialmente através dos Sacramentos da Eucaristia e da Penitência, da oração perseverante e do recurso à intercessão da Santíssima Virgem, nossa terna Mãe do Céu. Além disso, devemos praticar o jejum, a esmola e aceitar os sacrifícios que a vida nos oferece, em total conformidade com a vontade do Senhor.

Confiemos ao Senhor nossa vida e nossas lutas diárias, com a certeza de que Ele nunca nos abandonará em nossa peregrinação rumo ao céu. Com Ele ao nosso lado, encontraremos sempre a misericórdia e a redenção abundante que necessitamos para seguir adiante.

 

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen