Bispos › 18/08/2017

Nossa vocação comum à santidade

Dom Aloísio A. Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul

O mês de agosto não tem as melhores referências para os supersticiosos, mas os cristãos católicos o consideram mês vocacional. Nos diversos domingos de agosto nós destacamos vocações diferentes; sobre elas refletimos e por elas rezamos. Contudo, antes de se falar em vocações específicas, convém considerar a vocação comum de todos os batizados. Por isso é importante lembrar que todo Povo de Deus é chamado à santidade. Através do documento Lumen Gentium (Luz dos Povos), o Concílio Vaticano II nos lembra: “É comum a vocação à perfeição. Se pois na Igreja nem todos seguem o mesmo caminho, todos, no entanto, são chamados à santidade e receberam a mesma fé pela justiça de Deus (cf. 2Ped 1, 1)… Reina entre todos verdadeira igualdade quanto à dignidade e ação comum a todos os fiéis na edificação do Corpo de Cristo” (LG 32. Cf. tb. o Cap. V, nn. 39ss). Com estas palavras conciliares a Igreja afirma a beleza e a importância de todas as vocações, convidadas a participarem da natureza divina (LG 40).

Jesus quer-nos todos como discípulos e familiares e é da mesma forma verdade que não existe discípulo chamado que não seja também enviado como missionário. Jesus faz todos participantes de sua missão. Diz o Documento de Aparecida: “Cumprir a missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, porque é a extensão testemunhal da vocação mesma” (DAp 144). Dentro desse contexto vocacional amplo, nós descobrimos que, pelo batismo, todos os fiéis adquirem igual dignidade, são chamados à santidade e participam da missão evangelizadora. Mas existem também as vocações ou estados de vida específicos.

No primeiro domingo de agosto recebem destaque os Ministérios Ordenados (Bispos, Presbíteros e Diáconos): em união com seu Bispo, o presbítero é verdadeiro sacerdote porque participa do sacerdócio de Cristo (LG 28), tornando-se dom sagrado de Deus para seu povo: “representação sacramental de Jesus Cristo” (PDV 15); o segundo domingo, chamado popularmente Dia dos Pais, na verdade é dedicado à Família, à vocação de ser pai ou mãe, participando como leigos na vida da Igreja. A família é considerada pequena Igreja e, junto com a paróquia, é o primeiro lugar para a iniciação cristã das crianças; no 3º domingo celebra-se o dia dos Consagrados e Consagradas, que professam os votos de pobreza, castidade e obediência, vivendo em comunidade o absoluto de Deus em sua vida. No último domingo dá-se destaque especial aos diversos serviços leigos, exercidos por casados ou não, na comunidade cristã, com destaque à catequese. “A evangelização do Continente, dizia-nos o papa João Paulo II, não pode realizar-se hoje sem a colaboração dos fiéis leigos” (DAp 213).

Estamos num momento da história da Igreja, especialmente em nossa diocese, de assumirmos nossa corresponsabilidade em relação às vocações presbiterais e à vida consagrada. Já fomos celeiro de vocações: será que Deus deixou de chamar ou nós não damos nossa resposta generosa pela oração, apoio, testemunho, valorização… Que agosto, mês vocacional, nos faça refletir e rezar pelas diversas vocações ou estados de vida na Igreja.

 

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