Bispos › 27/03/2017

O amor abre os olhos do coração

 Dom José Gislon – Bispo Diocesano de Erexim

A vida e o tempo nos apresentam fatos e realidades que podem abalar a nossa confiança na capacidade das pessoas discernirem entre o bem e o mal. Podemos cair na tentação de achar que o mal, tão popularizado em todas as esferas da sociedade, pode estar vencendo ou superando as ações do bem, realizadas pelos que amparam e cuidam da vida dos mais fragilizados, pelos que conscientizam as pessoas sobre as agressões que sofre a mãe natureza nos nossos biomas e trabalham duramente para que milhares de crianças, jovens e idosos tenham uma vida mais digna no presente e oportunidades de trabalho no futuro, através de uma profissão.

A indiferença em relação à degradação dos valores que protegem a família, as crianças e os mais vulneráveis e indefesos traz consequências que atingem toda a sociedade. Podemos viver sem vermos ou nos envolvermos com o que está acontecendo ao nosso redor. Podemos optar por agir guiados pela cegueira da indiferença, que nos impede de ver a realidade da vida, com suas coisas bonitas e interessantes, mas também com as feridas que precisam ser tratadas e curadas antes de serem enfaixadas e escondidas.

A indiferença paralisa não só as ações do coração, que se alimentam do amor e da compaixão, mas também nos torna cegos e indiferentes diante do amor do Senhor. Perdemos a capacidade de experimentar o amor de Deus em ação na nossa própria história pessoal e familiar. Esquecendo que Deus vê o coração do ser humano, e o coração é o lugar onde a Palavra de Deus toca a nossa vida, alimenta a nossa fé e nos motiva para a ação, para a prática da caridade, geradora e protetora da dignidade da vida.

Através da Palavra de Deus podemos interpretar e reinterpretar de modo diverso tantos fatos da nossa vida, que na linha do tempo permaneceram adormecidos. Mas podemos também ser despertados da cegueira da indiferença ao sermos tocados pelo amor do Senhor. Este amor tem a capacidade de abrir os olhos do nosso coração para vermos e contemplarmos a realidade que está ao nosso redor com o amor e a compaixão do coração de Deus.

 

 

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