Bispos › 06/06/2017

O Deus dos cristãos

Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta

No caminho de iniciação à vida cristã, os batizados são conduzidos a vivenciarem um mergulho no mistério de Deus. Porém, o Deus que nós cristãos cremos tem características próprias, ele é Pai, Filho e Espírito Santo, como reza-se no dia da Santíssima Trindade: “Ó Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito santificador, revelastes o vosso inefável mistério.” Deus se mostra, revela-se a nós enquanto age em nosso favor. Acolhendo-o, pela fé, mergulhamos no seu mistério. Não se trata somente de uma verdade ou doutrina, mas um acontecimento realizado na história e sempre atual, pela ação do Espírito Santo, do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus de Nazaré, o Filho. De fato, “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). O cristão é convidado a sentir-se envolvido e acolhido por este amor divino, como São Paulo testemunhou: “E esta vida que agora vivo, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20).

A chave para mergulharmos no mistério de Deus está no encontro com a pessoa de Jesus Cristo. “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9), disse Jesus a Felipe. A vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo nos mostram o rosto de nosso Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Não se trata somente de um conhecimento intelectual, que por si só não atinge a vida e não move a agir, mas de uma experiência de vida. Em Cristo, Deus se fez próximo, acessível. Ele veio ao nosso encontro. “Com efeito, por Sua encarnação, o Filho de Deus uniu-Se de algum modo a todo homem. Trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado” (GS 22). Sua proximidade, porém, não significa que ele possa ser enquadrado em nossos esquemas teóricos e humanos, senão deixaria de ser Deus. Ele continua sempre a ser a absoluta alteridade, o mistério inefável, além de todo conceito. A certeza do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, faz o cristão dizer como Paulo: “Ele não está longe de cada um de nós, pois nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,27-28). Ele confere sentido a toda nossa vida e envolve todas as dimensões da nossa existência. Poderíamos dizer que habitamos em Deus e que Deus habita em nós. Ele caminha conosco. Preocupa-se e alegra-se conosco.

A palavra humana que mais se aproxima do ser de Deus é “amor”, como nos atesta São João: “Deus é amor” (1Jo 4,4). É o amor que une Pai, Filho e Espírito Santo num único Deus e a única motivação de todo seu agir.  O amor cria comunhão, congrega, aproxima, inclui, respeita e reconhece as diferenças. Somos convidados a traduzir em ações concretas este amor de comunhão e inclusão. Na visão cristã de mundo, ninguém pode ser excluído. A própria vida familiar é convidada a espelhar as relações amorosas de Deus Trindade. A comunidade cristã deve ser “imagem da Trindade”, irmãos e irmãs que se amam. Por isso, uma comunidade ou uma ordem social que exclui e produz pessoas que sobram, que não têm seu lugar, não traduz o ideal cristão. Ela manifesta estruturas pecaminosas, que contradizem o que Deus é e o que pede que sejamos.

À Trindade Santa, toda glória e louvor: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

 

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