Destaques › 25/01/2018

O monge Beneditino Marcelo Barros é presença confirmada na 41ª Romaria da Terra do RS

A 41ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul terá a presença do irmão e monge Marcelo Barros falando sobre a “Mística da Terra” durante a Romaria. Também o 13º Acampamento da Juventude contará com a sua participação.

Marcelo Barros é um monge beneditino, escritor e teólogo brasileiro. Nasceu numa família de operários e, quando adolescente, sonhava tornar-se veterinário. Mas, aos 18 anos, decidiu ser monge e padre.

 

A trajetória

Entrou no Mosteiro dos Beneditinos de Olinda, desde que lhe fosse sempre permitido trabalhar com as pessoas mais pobres e visitar cultos de outras igrejas e religiões.

Em 1969 foi ordenado padre por Dom Hélder Câmara e, durante quase dez anos, de 1967 a 1976, trabalhou como secretário e assessor de Dom Hélder para assuntos ecumênicos.

Marcelo é teólogo especializado em Bíblia (biblista), do grupo fundador do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI).

É um dos três latino-americanos membros da Comissão Teológica da Associação Ecumênica dos Teólogos do Terceiro Mundo (ASETT), que reúne teólogos da América Latina, África, Ásia e ainda minorias negras e indígenas da América do Norte. Atualmente desenvolve uma pesquisa teológica sobre a relação do Cristianismo com as religiões negras e indígenas e coordena uma coleção sobre a teologia do pluralismo religioso e um cristianismo aberto a outras culturas e religiões. No âmbito da Teologia da Libertação desenvolveu um ramo próprio, a Teologia da Terra.

 

Atuação

Assessora a Comissão Pastoral da Terra, organismo da CNBB para a presença da Igreja junto aos lavradores. Em todo o continente latino-americano é conhecido como um dos estudiosos que ajudam as Igrejas a desenvolver uma reflexão teológica sobre sua missão de solidariedade e inserção junto aos lavradores e sem-terra, como também desenvolve uma teologia sobre uma concepção do cristianismo aberta às outras religiões. E tem sido também convidado para diversos países para falar sobre ecologia e espiritualidade holística, sendo que seu livro “O Espírito vem pelas Águas” (como enfrentar a crise mundial da água através de uma espiritualidade ecumênica) está traduzido em espanhol, alemão e flamengo. Colabora com revistas brasileiras e de outros países, na América Latina e na Europa.

 

O que pensa, Marcelo Barros!

“É estranho que, em um mundo cada vez mais urbano e no qual as representações diplomáticas estão nas mãos da classe média alta, a ONU tenha proclamado o dia 17 de abril como “dia internacional da luta camponesa”. Nessa data, em 1996, ocorreu o grande massacre de lavradores sem-terra, em Eldorado de Carajás no Pará. A chacina chocou mesmo um Brasil pouco sensível à morte de lavradores e a um mundo habituado a conviver com genocídios.

Hoje, no Brasil, vinte dois anos depois, movimentos populares e especialmente de lavradores pobres continuam sendo discriminados e até criminalizados por muitos órgãos de imprensa. No entanto, a ONU e organismos internacionais idôneos têm reconhecido os benefícios que a caminhada dos lavradores sem terra e dos pequenos proprietários tem significado. A revalorização das sementes crioulas, a promoção da agroecologia e a instauração de eficientes cooperativas camponesas têm respondido à esperança das pessoas que trabalham por um mundo mais justo e em comunhão com a natureza.

Em meio à crise econômica e social que se abate sobre o Brasil e grande parte do mundo, cresce na sociedade civil a consciência de que é preciso mudar esse modelo de desenvolvimento. O crescimento econômico não pode ser feito destruindo florestas e envenenando a Terra. Além do fato de que só tem trazido riqueza para uma pequena elite. Precisamos de um caminho de sustentabilidade que possibilite uma economia a serviço da vida de todos e garanta um bem-viver coletivo para todos os cidadãos.

Nos mais diversos caminhos de espiritualidade, aprendemos que, como diz o papa Francisco: ‘Um desenvolvimento tecnológico e econômico, que não deixa o mundo melhor e uma qualidade de vida integralmente superior, não se pode considerar progresso. A solução para a crise econômica só pode vir de uma aliança entre todos os cidadãos e em comunhão com a natureza (Cf. Laudatum sii, 194)’.”

Marcelo Barros se tornou Beneditino diante da possibilidade de poder atuar e contribuir para o diálogo inter-religioso

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