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O que deve nortear a vida do cristão

A grande pergunta que cada pessoa faz, ao aproximar-se de Jesus e decidir viver como cristão é “o que devo fazer?”

A resposta que Jesus nos dá é aquela da necessidade da correspondência entre o que Deus nos faz e o que Ele nos pede fazer. Há uma profunda ligação entre estas duas realidades: o que recebemos de Deus é, na verdade, aquilo que devemos oferecer aos demais. Assim, aquele que recebeu a misericórdia, sinal de um total amor por parte de Deus, deve, de forma coerente, oferecer misericórdia.

Nosso Senhor, no Evangelho, não pretende nos oferecer uma regulamentação completa de como um discípulo seu deve viver e agir. Antes de tudo, são indicações, exemplos de um princípio norteador para a própria vida: o amor concreto, encarnado na vida diária, vivido com uma “normalidade” de humildade, espírito de serviço, caridade aplicada a todas as situações do dia a dia, centrados não em nós mesmos, mas na obediência a Deus e no serviço generoso para com os irmãos.

Um dos problemas mais sérios para a humanidade hoje é o da violência. Ainda estamos sob o domínio do medo, que ameaça nações e sociedades inteiras. Talvez não consigamos influir diretamente nestas situações limites que afetam a humanidade como tal. Mas a nós, será sempre possível vencer a violência que acomete tantas vezes a vida familiar, quando marido e mulher, pais e filhos, irmãos entre si já não se entendem e não se respeitam mais. Podemos vencer a violência infligida através da calúnia, das mentiras espalhadas e acreditadas, do linchamento mediático que destrói reputações, tantas vezes construídas durante uma vida toda… Tudo isto também é violência e mata. E quem se preza a disseminar esta categoria de agressão ao irmão torna-se um assassino, um Caim dos tempos atuais. Judas traiu Jesus e aceitando as trinta moedas tornou-se tão assassino como aqueles que pregaram o Senhor na cruz, assim como aqueles que gritaram “crucifica-o”, pedindo a morte do Senhor.

A 1a Leitura deste Domingo (1 Samuel 26,2.7-9.12-13.22-23) relata o episódio da vida de Davi, que manifesta seu amor por seu maior inimigo. Este amor se apresenta como perdão. Podendo matar Saul que o perseguia, Davi não o faz, pois, Saul como rei, era o ungido do Senhor. Em vez de experimentar o amargo gosto da vingança, Davi prefere confiar em Deus e em sua Justiça, que nunca falha.

São Paulo, no texto da 2a Leitura (1 Coríntios 15,45-49) responde a uma objeção, fundada em uma dúvida existente entre os cristãos de seu tempo: “como será a ressurreição dos mortos?”. Seremos como o Senhor Ressuscitado, ele responde, já que, participaremos em plenitude da vida perfeita em Cristo.

No Evangelho (Lucas 6,27-38) aprendemos um pequeno código de moral, como que algumas normas fundamentais para a vida cristã: amar os inimigos, fazer bem a quem nos odeia, bendizer quem nos amaldiçoa, rezar pelos que nos caluniam. Nunca reagir pagando o mal com outro mal. Fazer aos demais aquilo que gostaríamos que fizessem a nós. Depois destas regras claras, fundadas na misericórdia, vem a indicação de um mandamento: amar os inimigos! Com todas as consequências. E por que agir assim? Porque Deus age assim conosco? Ou seja, tratar aos demais como somos já tratados por Deus.

Cada Missa que participamos é-nos a oportunidade de revigorar este laço único de amor que deve existir entre Deus e nós e entre nós e os demais.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen